Bom dia, Direito

13 setembro, 2012

Depois de um período de adaptações longe do meu país, estou de volta para o Direito é Legal.

Como anda o Brasil?

Uma coisa me deixou um pouco intrigada outro dia foi a discussão de “racismo” nos livros do Monteiro Lobado. Um dos meus escritores favoritos quando criança, acho exagerado considerá-lo racista. E, ainda que algumas pessoas se sintam ofendidas com seus textos, abolir um de seus livros das escolas é um tanto quanto agressivo, além do que, tudo que é proibido acaba atraindo mais atenções… Penso ainda que, se formos por essa linha de raciocínio, a Bíblia também seria ofensiva para as mulheres. Então, qual o critério que será usado para esse tipo de censura?

Sem querer criar muita polêmica pergunto: Você sabe a diferença de racismo para injúria racial?

A injúria racial, é uma forma qualificada da injúria e atinge uma pessoa específica por conta de sua cor/etnia/características físicas etc. Já o racismo deve atingir uma coletividade, como por exemplo, a proibição da entrada de pessoas de determinada cor em um restaurante. É muito comum ver a imprensa confundindo estes termos quando duas pessoas se provocam por conta de seus diferenças físicas. Neste caso, não se trata de racismo e sim de uma briga entre dois seres que tentam se ofender de todas as formas, gerando no máximo uma injúria racial e, claro, muito desconforto para ambos.

É importante ressaltar também, que embora seja mais comumente utilizado o exemplo de racismo como sendo ofensivo aos negros (como no caso da questão discutida sobre Caçadas de Pedrinho), o racismo e a injúria racial também podem ser direcionados para os brancos, os asiáticos, os indígenas etc. É tudo uma questão de respeito. E o respeito deve ser universal, certo?!

Mais:

Texto muito bom sobre a criação do parag. 3o do art. 140 do CP.

Interessante ainda acompanhar uma gravação antiga do podcast Decodificando, em que eles abordam o assunto!

Ps. a foto que ilustra o post é minha, tirada na universidade aqui da França. Tem gente do mundo inteiro e estamos muito felizes com isso!

Mudança de país, blog continua, recomendo texto

28 agosto, 2012

Esta foi minha última terça-feira de Brasil para o próximo semestre. Passarei o resto do ano e inicinho do outro na França a partir de quinta-feira. Longa história… E estou animada! Mas o blog vai continuar!

Só estou explicando porque as atualizações no facebook estão muito mais tranquilas que as atualizações aqui.

Enquanto isso, recebi de um escritório companheiro (que não me patrocina nem nada), dicas de textos excelentes sobre temas que costumo comentar pouco como Direito do Trabalho. Veja só.

Os prós e contras dos 180 dias da licença-maternidade

Pode deixar de ser facultativo o período de 120 para 180 dias o tempo para a licença-maternidade, caso o Projeto de Lei 2299/11, que tramita em caráter conclusivo, seja aprovado. Propostas de ampliação obrigatória do benefício vêm sendo debatidas e a especialista emAdvocacia Trabalhista e sócia da Veloso de Melo Advogados, Clarisse Dinelly, aproveita o ensejo para dar seu entendimento em relação ao tema.

Para a advogada, desde quando criaram o programa Empresa Cidadã, em 2008, os resultados tanto paraa empresaquanto para a empregada têm sido satisfatórios. “As empresas que aderiram ao programa de concessão de incentivo fiscalse beneficiamnão só com a deduçãodo valor total que foi pago à empregada durante o período de prorrogação da licença-maternidade, como tambémàs funcionárias da organização, que trabalham com mais satisfação e tranquilasao saberem que podem ficar com seus filhos nos seis primeiros meses de vida”, esclarece Clarisse, salientando que esse período é, inclusive, recomendando pela Organização Mundial da Saúde e pelo Ministério da Saúde para a amamentação exclusiva.

Ela ainda diz que o retorno positivo dessa política é mais nítido ainda quando as novas mamães retornam ao ambiente de trabalho. “Afinal, elas não precisarão mais se preocupar com a amamentação exclusiva das crianças, que já estarão ingerindo outros alimentos”, diz.

A Sociedade Brasileira de Pediatria também alega que os bebês que ficam seis meses ao lado da mãe têm reduzidas as chances de contrair pneumonia, desenvolver anemia e padecer com crises de diarréia. Segundo a Sociedade, o Brasil investe milhões ao ano para atender a crianças com doenças que poderiam ser evitadas, caso a amamentação regular tivesse acontecido durante esses primeiros meses de vida.

O Projeto de Lei veio para alterar a Lei 8.213/91, que prevê o pagamento do salário-maternidade por quatro meses. Essa nova medida, contudo, apesar de agradar as futuras mamães, pode impactar de forma negativa o mercado de trabalho. “No período que as colaboradoras estão usufruindo da licença-maternidade, as empresas precisam contratar outra pessoa para substituí-la. Com o aumento do período desse benefício,o custo para a organização com o novo funcionário ou com o eventual pagamento de horas extras para àqueles que já eram doquadro e que estão cumulandoas funções, também aumentará por maisesses dois meses”, pondera.

“A avaliação para saber se haverá o desaquecimento dos mercados de trabalho para as mulheres poderá ser realizada somente em médio e longo prazo, por meio das empresas que verificam as vantagens e os prejuízos da concessão da licença-maternidade de 180 dias, enquanto ainda facultativa. Mas a sociedade precisa se adaptar à nova garantia, focando na saúde das crianças e não somente no bem-estar das futuras mamães”, finaliza a advogada.

O que dizem as leis sobre o benefício – A licença-maternidade é um direito fundamental, previsto no artigo 7º, inciso XVIII da Constituição Brasileira de 1988, que consiste em conceder à mulher que deu à luz licença remunerada de 120 dias. A Carta Magna também garanteque, do momento em que se confirma a gravidez até cinco meses após o parto, a mulher não pode ser demitida (alínea “b”, do inciso II, do artigo 10, do ADCT).

A Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), por sua vez, regulamenta a matéria e tambémprevê em seu artigo 392 o direito à licença-maternidade de 120 dias, sem prejuízo do salário. No mesmo artigo, está regulamentado quea empregada deve, mediante atestado médico, notificar o seu empregador da data do início do afastamento do emprego, que poderá ocorrer entre o 28º dia antes do parto e ocorrência deste. Ainda no mesmo artigo, está previsto que os períodos de repouso, antes e depois do parto, poderão ser aumentados de duas semanas cada um, mediante atestado médico.

Em setembro de 2008 entrou em vigor alei nº 11.770, que prorrogou a licença-maternidade em 60 dias, de forma facultativa e mediante incentivo fiscal, às empregadas de empresas que aderissem ao programa “Empresa Cidadã”, regra que vem sendo aplicada desde 1º de janeiro de 2010.

Autora: Dra.Clarisse Dinelly
Especialista em Advocacia Trabalhista e sócia da Veloso de Melo Advogados
Ps. A Autora do texto está convidada para dar uma pequena entrevista para este blog quando ela e eu tivermos um tempinho de sobra!

Facebook legal!

14 agosto, 2012

O Direito é Legal também está no facebook com dicas rápidas, desabafos e informações para o leitor.

O blog não vai parar não. A idéia é só legar um pouquinho de direito para fazer companhia às piadinhas do facebook. Nada contra!

http://www.facebook.com/direitoelegal

Ps. O twitter você já conhece, né?! É o @bomdireito (tudo fica registrado ali do lado, acima da foto do Peter)

Londres, pequenas e grandes injustiças e o dilema do Direito

13 agosto, 2012

Como eu amo Olimpíadas! Podem falar que é meramente comercial, que o Brasil perdeu medalhas, que a Copa é muito mais legal. Eu AMO as Olimpíadas! Amo os jogos, a ginástica olímpica, as corridas,  a natação, os hinos nacionais, a tocha olímpica… Poxa, esse ritmo é muito contagiante!

Vendo as meninas da ginástica me bateu uma enorme saudade do meu tempo de bailarina. Foram sete anos de treinamento.  Nada muito pesado, mas delicioso! E então parei. E sabem por que parei? Porque a professora me acusou de uma coisa que eu não tinha feito. Na verdade, ela nem chegou a me acusar, ela só passou a me tratar mal da noite para o dia e a tornar a minha vida insuportável no ballet. Eu, que era uma criança, não entendi direito e resolvi sair. Alguns anos depois a ficha caiu: Aquela professora tinha entendido que eu era a responsável por uma série de trotes que outras meninas estavam fazendo com uma professora substituta. E como as meninas ainda usavam o meu nome, numa espécie de bullying, para fazer gracinha com o povo, ficou parecendo que eu tinha alguma coisa a ver com a história. Complexo, né?! Isso me custou a interrupção das aulas e também um sedentarismo precoce. Mas não vou ficar chorando as pitangas aqui.

Este mal-julgamento da professora, aliada à minha ingenuidade para me defender resultou nessa carreira frustrada de bailarina, o que nem de longe é a maior injustiça que eu possa citar neste texto.

Há quase vinte anos virou notícia o caso da Escola Base. Os diretores de uma escola foram julgados e condenados (pela mídia!) sob a suspeita de molestarem as crianças da escola. Perderam o trabalho e tiveram a vida familiar destruída. Pouco depois, descobriu-se que era tudo invenção e que os diretores eram inocentes.

Mas este ainda não é o pior caso que eu poderia me lembrar, e olha que não quero comentar sobre os irmãos Naves.

Na mesma cidade sede dos recém findados jogos olímpicos, há sete anos, uma grande injustiça aconteceu com um brasileiro. Jean Charles, mineiro de Gonzaga, foi o infeliz escolhido. O caso, conhecido por todos os brasileiros e londrinos, remete à tragédia de um rapaz que foi tido como terrorista e morto por isso, sem chance de defesa. Sem sequer querer comparar os casos relatados, posso expressar que este é o grande dilema do Direito: A condenação injusta.

A dura realidade de punir uma pessoa que não tem nada com a história é uma preocupação não só do legislador brasileiro, mas do geral do mundo.

Guardadas as devidas proporções, visto que o caso Jean Charles é um exemplo de aberração, talvez por isso o nosso Direito Penal seja tão paternalista (eu chamo assim). Talvez por isso muitos dos mensaleiros não terão o destino esperado. Ou talvez porque os que fazem as leis tenham também os seus interesses. É, fiquemos com o benefício da dúvida…

A verdade é que se de um lado temos este dilema, do outro temos o dilema da impunidade. Este com muitos mais casos para relatar. E também terrível.

Daí a importância de um processo penal sólido e respeitado. Também daí a importância do cumprimento das leis, e o principal: A importância do conhecimento e acompanhamento destas Leis por toda a população, por todos os povos.

Somos assim com os esportes, não somos? Sempre sabemos quando o jogador está impedido, quando há o quarto toque na bola do vôlei, quando a ginasta cruza as pernas no salto. A gente conhece as regras e sabe cobrar. Isso fazemos bem com os árbitros.

Vamos exercitar esse dom também com a Justiça? Que tal?

“É preciso que a sociedade, pacificamente organizada, resista participando na melhoria das condições de vida do povo e exercendo essa participação com o Estado, pela construção de uma nova sociedade. Porque essencial é tomar como ponto de partida a visão global do problema, afastando-se das soluções românticas ou provincianas. 

Impõe-se investir: a) naquele que cometeu o ilícito; b) naquele que está a caminho do crime; c) naquele que não se apresenta como possível criminoso; d) na infância e na juventude”

Nilzardo Carneiro Leão, texto Causas da Violência

 

 

Queridos heróis

11 agosto, 2012

Hoje é o dia do advogado. E como é difícil ser advogado…

As pessoas do mundo devem concordar comigo que a profissão não tem a melhor das imagens para o público, certo?! Ao mesmo tempo que muitos nos julgam mentirosos, falsos, oportunistas, outros entendem que somos ricos, careiros e políticos. Nada mais longe da verdade para os que são, de fato, advogados.

Ad-vocare tem o significado de ajudar. Em uma maior profundidade etimológica, significa aquele que conduz até a verdade. O advogado tem que ser, antes de tudo, um colaborador da justiça. Ele tem que querer encontrar a verdade para realizar um bom trabalho.

Parece utópico, mas isso é o que toma a maior parte do nosso dia! E não somos poucos.

Mas ajudar e colaborar pode ser um trabalho iniciado fora do judiciário. E vamos aos exemplos: O moço que salva o cachorrinho do afogamento é um advogado no sentido amplo da palavra! O menino que defende o colega do bullying também (desde que não espanque ninguém!). O chefe que  prefere conversar sério antes de realizar cortes de pessoal também. A professora que ensina o aluno a evitar problemas com inteligência também. E por aí vai.

Advogar tem que ter esse caráter nobre de ajudar. Sem isso, é só mais uma pessoa paga para fazer qualquer coisa por dinheiro. E para tal já existe outro nome. O verdadeiro advogado é um herói. E estamos falando de muitos.

Por isso hoje o “Queridos heróis” vai para os advogados, em homenagem a este dia que é também o dia do Estudante. Bravíssimo! Amanhã, o “Queridos heróis” fica para os pais, pelo dia dos pais. Em todo caso, parabéns!

 

O julgador que questiona

9 agosto, 2012

Sempre achei interessante que, antes de julgar, o próprio julgador investigasse um pouco a situação, mais ou menos como um ou outro seriado que a gente já viu.  Isso é raro.

Claro que o nosso sistema é bem diferente do hollywoodiano e tem que ser mesmo. Mas veja como pega bem quando o julgador questiona o advogado. Quando ele mostra interesse no caso e, melhor ainda, mostra que conhece o caso.

Joaquim Barbosa questiona advogado em julgamento do Mensalão

 

Mais:

Está criado o facebook do Direito é Legal

Concurso de Monografias: Combate à Corrupção

8 agosto, 2012

Estamos todos acompanhando o julgamento do mensalão, certo?! Bom, segue aí uma grande idéia que tenho a alegria de comunicar que está com as inscrições prorrogadas até 26/10. Como sempre, Rio Grande do Sul marcando presença no Direito Brasileiro!

A Procuradoria-Geral do Estado do Rio Grande do Sul e a Associação dos Procuradores do Estado do RS divulgam o Concurso de Monografias, cujo tema é “ADVOCACIA PÚBLICA E COMBATE À CORRUPÇÃO”.

As inscrições podem ser feitas no período de 02 de abril a 26 de outubro de 2012, por meio do e-mail (monografia@pge.rs.gov.br) ou pelo correio. O concurso é destinado a acadêmicos de Direito e aos demais profissionais da área ciências jurídicas, políticas e sociais. Mais informações podem ser obtidas pelo seguinte endereço: pidap-sec@pge.rs.gov.br

O regulamento completo pode ser consultado no site: http://www.pge.rs.gov.br, link: eventos

Premiação:
Os autores das quatro (04) monografias vendcedoras receberão a seguinte premiação:

I – primeiro lugar: R$5.000,00 (cinco mil reais);

II – segundo lugar: R$3.000,00 (três reais);

III- terceiro e quarto lugares: menção honrosa e Prêmio APERGS.

Mobilidade

8 agosto, 2012

Olha, se tem uma coisa que me interessa é a tal da mobilidade urbana! Nasci e cresci em Belo Horizonte e vi essa cidade, aos poucos, se tornar próxima do insuportável de tanto carro. Por um  lado, uma notícia boa: Oba, todo mundo está tendo condições de ter o próprio carro. Por outro lado, uma notícia ruim: A cidade não anda mais.

A redução de IPI, a segurada no preço da gasolina, a manutenção de empregos na indústria automobilística… tudo muito legal! Mas de que adianta ter um carro se ele não tem mais rua para andar e nem lugar para estacionar?

Aqui em Beagá, se você quer fazer as coisas em um tempo determinado, o carro não é mais a melhor idéia. Na maioria das vezes uso ônibus+corridinhas a pé para conseguir as coisas um pouco mais rápido.
No que diz respeito aos ônibus, acho que houve alguma melhora, mas Belo Horizonte, irritantemente, não tem muita opção de transporte público. Não temos metrô… e esta acho que é uma das maiores frustrações do mineiro, perdendo apenas para a falta de praia.

Numa época muito feliz, tive a oportunidade de morar alguns poucos meses da minha vida em Vancouver no Canadá. E lá experimentei um excelente sistema de transporte. A gente comprava um cartão por um preço fechado (para estudantes era mais barato e dependendo da área que você percorria havia uma variação de preços, na época +- $90) e podia pegar quantos ônibus, metrôs, skytrains, balsas que quiséssemos.

Era um sonho! E algo muito prático e saudável tanto para o cidadão, quanto para o município, pois ele garante uma renda interessante e faz a economia girar muito mais em diversos pontos da cidade. Pois se ir para a periferia e para o centro ficava o mesmo preço, a gente marcava de tomar café na periferia, conhecer os jardins mais distantes, visitar os amigos que moravam do outro lado da cidade e fazer compras na venda do lado. Isso fazia tudo funcionar, tudo girar e melhorava a dinâmica da vida na cidade.

E como eu quero isso para minha querida Belo Horizonte…

Além disso, fico pensando para uma pessoa que procura emprego, dizer que mora longe muitas vezes é um empecilho para o emprego, mas quando o sistema de transporte funciona e é realmente democrático, isso não é mais um problema.

Por isso que eu acho muito proveitosa a conversa sobre o assunto aqui no Brasil. Seja para Belo Horizonte, São Paulo, Salvador, o que for… Mobilidade! Outra palavra muito irmã da já famosa Sustentabilidade.

Mais:

Brasileiros viajam até o Peru com carro movido a óleo de dendê

O sistema de transporte de Vancouver

Este foi o texto que me inspirou para escrever agora  –  Proposta de bilhete único para SP

Vá de Bike

Update: “Vi esses dias na Tv um advogado que vai todos os dias pro trabalho de skate. No caminho, ele para numa pracinha e faz Ioga, só então segue pro serviço, onde toma um banho e começa o dia. Segundo ele, fazer da rotina algo somente massacrante acabaria nos brutalizando. Não se pode deixar pra fazer as coisas que se gosta só nos finais de semana e recessos. O segredo é fazer cada dia valer a pena, fazendo coisas que se gosta, ainda que entremeadas às obrigações de todo dia…“Will, leitor do blog, mandou nos comentários e achei que seria bom reproduzir

Você pode ganhar um presente de dia dos namorados mesmo solteiro, eu acho!

12 junho, 2012

Hoje, dia dos namorados, costuma acontecer um fenômeno muito interessante. Na verdade, são vários fenômenos juntos. Fenômeno 1 –  Todos os casais passam a aparentar estarem mais apaixonados ou não. Fenômeno 2 – Todos os solteiros passam a falar mal dos casais (o velho discurso de que mulher bem-resolvida é solteira, todo solteiro é meio clone do Cloney e por aí vai) ou não. Fenômeno 3 – Todos os românticos, mas solteiros passam a apresentar um semblante mais triste, tornando-se vítimas de seus próprios sonhos em mensagens subliminares no facebook. Ou não.

Quer dizer, o seu dia pode ter sido cheio de fenômenos curiosos, como pode não ter  tido nada demais. E você não ganhou de presente nem um presente, nem um discurso sobre como as estatísticas comprovam que as mulheres são mais felizes solteiras (e acho que são mesmo!). Aliás, você nem lembrava que hoje era dia dos namorados não fosse a amostra grátis de perfume que recebeu na entrada do praça de alimentação, não é?! Adoro datas comerciais!

Pois bem, carentes, apaixonados, chatos ou sonhadores, todos temos uma chance. Momento auto-ajuda: TODOS!

Então, é o seguinte, eu já participei de um bilhão de concursos de redação (coisa que insisto em considerar meu dom máximo, já que não vinguei no canto, dança, nem na entomologia) e nunca ganhei nada. Na-da. Nem camiseta com minha cara estampada (o que é um alívio!).

Ontem recebi este e-mail aqui abaixo gentilmente pedindo a divulgação do concurso para os estudantes e praticantes de Direito. E pensei: Poxa, eu nunca ganhei nada, mas vai que algum leitor ganha e me ensina como fazer. Então, segue, pessoal! Um presente de dia dos namorados, mesmo que nossa relação esteja bem distante ultimamente!

Um presente para você que é apaixonado por alguém. Ou para você que é apaixonado pela vida, pelo Direito, pela sua família, pelo seu cachorro etc. Você merece esta chance!

(Dica: se você não tem namorado, envie outra foto e veja como isso é interpretado pela comissão! Não custa!)

IURIS presenteia usuários do Facebook com exemplares da coleção Passe na OAB 2ª Fase
Quer ganhar um exemplar da Coleção Passe na OAB 2ª Fase? O Centro de Estudos Jurídicos IURIS, no Rio de Janeiro, está aproveitando o mês dos namorados para presentear usuários de sua fanpage no Facebook.
O concurso cultural “A Gente se Completa”, que conta com o apoio da Editora Saraiva, acontece até o dia 20 de junho. Para concorrer, o usuário precisa acessar o aplicativo da promoção, enviar uma foto com seu(ua) namorado(a) e responder a pergunta: “Como você e seu amor se completam?”. São sete títulos: Civil, Trabalho, Administrativo, Penal, Empresarial, Constitucional e Tributário.
A segunda fase, que corresponde à prova prático-profissional, acontecerá no dia 08 de julho.
A ação foi elaborada pela Agência Pulse.
Ps. A foto que ilustra o post é do Instagram da Karen Hofstetter que eu não conheço, mas sigo feliz!

Um caso curioso: PM se cala sobre flagrante do presidente do TJ em blitz

8 junho, 2012

A Polícia Militar de Minas Gerais preferiu se calar sobre o registro de uma ocorrência na qual o presidente do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), o desembargador Cláudio Renato dos Santos Costa, teria sido flagrado dirigindo com sinais de embriaguez. A ocorrência, registrada durante uma blitz da Lei Seca, no fim da tarde de anteontem, na avenida do Contorno, na Savassi, região Centro-Sul de Belo Horizonte, não foi comentada por nenhum membro da corporação.

Até as 22h de ontem, ninguém no tribunal falou sobre o assunto nem esclareceu se o caso seria investigado internamente. No carro parado pela Polícia Militar, também estava a mulher de Cláudio Costa, a desembargadora Albergaria Costa, que teria assumido o volante 50 m antes da blitz, conforme consta no boletim de ocorrência. Ainda segundo o registro, o presidente do TJMG apresentava sinais de que havia ingerido bebida alcoólica, como vermelhidão nos olhos e hálito etílico, mas se recusou a soprar o bafômetro.

“Essa é uma ocorrência que cabe ao Tribunal de Justiça divulgar informações. Por ser ele um desembargador, a condução, o inquérito e o processo de investigação quem faz é a própria casa (TJMG)”, alegou o chefe da sala de imprensa da Polícia Militar, major Gilmar Luciano. Segundo o policial, “por força de constituição”, os magistrados só podem ser presos em flagrante em crimes inafiançáveis.

A reportagem tentou falar com o desembargador ontem, mas, segundo a assessoria de imprensa do TJMG, ele não comentaria o assunto. À Rede Globo, Costa teria reconhecido ter bebido vinho e que a mulher dele, que estaria ao volante, parou mesmo antes da blitz, com a intenção de fazer uma compra.

A ocorrência da PM, no entanto, dá a entender que quem estaria ao volante seria o desembargador, que se recusou a fazer o teste do bafômetro. A versão da troca foi negada pela magistrada em nota oficial divulgada no domingo. Albergaria foi submetida ao exame de alcoolemia, que deu negativo.

A Secretaria de Estado de Defesa Social (Seds) informou, em nota, que a ocorrência da PM foi recebida pelo Departamento de Trânsito de Minas Gerais (Detran), “que adotará todas as providências legalmente previstas”. A carteira do desembargador teria sido recolhida.

Análise. Para o filósofo Robson Sávio, membro do Núcleo de Estudos Sociopolítico da PUC Minas, o mínimo que se espera de instituições públicas, como a PM e o TJMG, é a transparência. “Pode ser legal, mas é imoral. Todo servidor público tem que prestar contas à sociedade de seus atos. Esse é o ônus do cargo”, afirmou.

Segundo Sávio, a falta de transparência na divulgação do caso aumenta a desconfiança em relação às partes envolvidas. “A não-divulgação do que realmente aconteceu dá o direito a todos de pensar que ele estava dirigindo alcoolizado”, disse.

Fonte: O Tempo

O que você acha?

26 abril, 2012

Responsabilidade civil: ser responsável pelo casamento dos seu primo com a sua melhor amiga.

 

(!)

 

A matemática da saúde

2 abril, 2012

Um hospital paga em média R$150,00 para o Hemominas por uma bolsa de sangue. Isso se deve aos inúmeros exames necessários para comprovar a segurança do sangue. O SUS, por sua vez, paga R$8,50 para o hospital que pagou R$150,00 pela bolsa. Interessante essa conta, não?!

Nossa linda Constituição Federal de 88 estabelece em seu art. 196:

“ A saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação.”

Eu gosto de enfatizar a segunda parte do artigo porque a primeira todo mundo já sabe de cor: “direito de todos e dever do Estado”. E todos sabem que não funciona bem assim (embora, pensando no tamanho do Brasil e em algumas prerrogativas que temos, até que funciona muito melhor que em outros lugares).

A questão é que o dever do Estado é “garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação”. Políticas sociais e econômicas. Políticas essas que temos pouco conhecimento. E temos procurado saber?

No ano 2000 ficou estipulado que nenhum Estado ou Município poderia aplicar menos de 7% de sua verba em saúde. Sendo hoje o percentual de 12% para o estado (minúsculo mesmo) e 15% para o Município.

Mas, para isso, meu professor de Tributário ensinou o seguinte monólogo do gestor público: “Vou investir em merenda escolar e falar que isso é saúde, porque é comida e isso faz bem pra saúde. Agora vou investir em lavagem de monumentos e falar que isso é saúde porque é higiene e higiene é saúde. Agora vou investir em festas na cidade e falar que isso é saúde, porque alegria é saúde”.

Então, desse jeito qualquer um pode ser o próximo administrador. Complete os colchetes: “Vou investir em [     ] e falar que é saúde, porque é [      ] e isso é saúde”. Ora bolas!

Por fim, pagam um valor ínfimo para coisas que estavam na cabeça do legislador com a emenda 29 (como hospitais, remédios, bolsas de sangue, ambulâncias), porque o resto ficou naquilo que chamaram de saúde.

“A proporção do orçamento nacional que vai para a saúde é ainda inferior à média africana, de 9,6%. Segundo a OMS, o governo brasileiro destina à saúde menos que o grupo de países mais pobres do mundo.” Estadão em maio de 2011.

Minha proposta é que a gente procure esperar o mínimo do governo e cobre o máximo.

E pergunto: Temos reduzido ou ajudado a reduzir o risco de doença e outros agravos?

Quanto a isso, tenho dicas pequenas, mas pelo menos tenho dicas:

1) Guarde seus dentes de leite congelados. Vale também para os sisos. Células tronco prometem curar muita coisa!

2) Pare de fumar. Ou diminua substancialmente. Arrume outra mania. Escovar os dentes, por exemplo!

3) Durma bem. Mas se você dorme pouco como eu, compense no final de semana.

4) Nunca ultrapasse pelo acostamento. E nunca pare no acostamento sem sinalizar muito, mas muito mesmo.

5) Sempre certifique-se que o elevador está no manual antes de entrar por cima dele para fazer o reparo. (dica de síndica!)

6) Esqueça o bacon, prefira o azeite, tome uma taça de vinho por dia.

7) Mas quando tomar a taça de vinho, não dirija!

“Dizem que o tempo muda tudo, mas não é verdade. Fazer coisas é que muda algo, não fazer nada deixa as coisas do jeito que estão.” Dr. House

Mais:

Regulamentação da emenda 29

Direitos dos usuários do SUS

E o ICMS, hein?

28 março, 2012

“E convém não esquecer que bitributação é quando arrancam seis vezes o dinheiro do cidadão. Pois o normal já é tributação.” Millôr Fernandes

 

Cante com seus amigos e grave

15 março, 2012

Sabe aquela cena do ônibus de Quase Famosos? Quando todo mundo começa a cantar Tiny Dancer junto(vamos todos suspirar com a beleza da cena, da mensagem, dos atores e da vida de viajante)?

Então, pegue esse enredo, tire a Hate Hudson e transporte o cenário para a Disney com três brasileiras. Agora troque o Elton John pelo Michel Teló e teremos a receita para uma ótima ação de direitos autorais.

Como já dita a introdução, esse caso vem sacudindo a poeira das estantes de direitos autorais de um julgador de João Pessoa que pegou a inicial que clama pelos direitos com “ai, se eu te pego”. Até agora, ele já concedeu uma liminar em favor das autoras.

Segundo as garotas, a música foi produzida e gravada em vídeo durante uma viagem para a Disney. Olha que delícia!

A conversa aqui no escritório foi sobre a propriedade da idéia. Se você tem uma idéia, ela não é só sua por direito até que você a materialize, como no caso do vídeo. Mas só o vídeo basta? Como provar a data do vídeo e a autoria? Isso são cenas para o próximo capítulo…

Veja a reportagem no link !

e eu que tenho um excelente relacionamento no mercado?

10 março, 2012

Não sei se foi a Google, o Facebook ou o pessoal da lojinha de sabonetes do lado do meu trabalho, mas alguém vendeu meus dados para essas firmas que repassam pra telemarketing e agora meu telefone não para de tocar em horário de trabalho, atrapalhando a minha concentração que já é descentralizada.

Vi um número que começava com 011 e na ilusão de falar com meus amigos que migraram pra São Paulo, atendi. Por um instante, até achei que fosse o Guach fazendo voz de telemarkista (uma vez fui rude com ele no celular fazendo a confusão contrária). Não era. Era realmente um telemarkista. Profissão que eu respeito muito, mas que gostaria entendesse que não sou público alvo.

A Unicamp realizou um estudo que constatou que 85% dos operadores são mulheres e que os profissionais passavam por muita pressão dos chefes e grosserias dos clientes.

Mas ontem, a voz era de homem. E fui ser educada para diminuir o índice do mal.

Informo que para a sua segurança essa ligação está sendo gravada, tudo bem? – ele.

– Ok!  – eu sendo compreensiva com o moço.

A senhora foi selecionada devido ao seu excelente relacionamento no mercado …

– hum…

Por isso a FIAT ITAUCARD quer te oferecer um cartão no qual você poderá acumular pontos para a troca do seu FIAT.

– Não, moço, eu não estou interessada, obrigada.

Mas senhora, o seu carro novo pode sair pela metade do preço.

– Mas, moço, eu acho que tem carro demais no mundo. O negócio agora é andar de bicicleta.

Mas se a senhora for viajar, vai viajar de bicicleta?

– Não, moço, acho que vou de trem!

Ok, senhora, a FIAT ITAUCARD agradece a sua atenção e deseja uma boa tarde.

Achei delicada a despedida. Geralmente desligam na minha cara. O ITAU era mestre em fazer isso e já formalizei uma reclamação quanto à prática. Acho meio estranho que eu tenha um relacionamento tão bom no mercado e mereça tão poucas atenções quando exponho meu pensamento. Na época que o pessoal do TERRA também ligava, uma mulher me ligou no dia do meu aniversário e desligou depois que falei que não tinha interesse. Ela nem me deu os parabéns, mal-criada!

Quanto ao assunto de adquirir carro novo, ando caminhando na contra-mão (oi, trocadilho!). Quero sonhar com um mundo em que o povo use carros só para levar grandes famílias para passear e bicicleta, metrô, trem e patins para o resto. Power-rise e Kangoo jump também valem!

De volta ao telefone, alguns estados brasileiros já estão liberando um tipo de cadastro “não perturbe” que o próprio nome já dá a entender de que se trata.  A pessoa que tem um excelente relacionamento no mercado se cadastra no site (geralmente de procons) e após 30 dias já não pode mais ser incomodada pelo telefone (pelos telemarkistas, que fique claro). Eu consigo pensar em diversos pontos negativos deste cadastro, mas prefiro achar que é uma boa idéia, por enquanto!

Quanto aos Call Centers, o tempo máximo de espera agora deve ser de um minuto (situação utópica que me faz rir muito enquanto eu passo uma manhã inteira tentando falar com a VIVO que meu 3G nunca funcionou ). E em caso de reclamação e cancelamento do serviço, não pode a empresa ficar transferindo a ligação até vencer pelo cansaço. E, como última utopia, temos que o consumidor poderá solicitar acesso ao conteúdo da gravação e ao histórico de atendimento. Aham! Além disso, a lei que dispõe sobre o assunto ainda indica que deve ser fornecido atendimento para pessoa com deficiência auditiva. Deixo um ponto de interrogação.

PS. Por fim, quero mandar um abraço pra Patrícia, minha amiga telemarkista bahiana que me vendeu todos os TELECINES por um ano e fizemos amizade pelo telefone. Pessoa mais simpática do mundo! Ela prometeu que a próxima filha dela (a sexta) receberá o meu nome! Pati, beijo-me-liga!

Mais:

Não pertube no RS

Lei do bloqueio de Telemarketing em SP

Faça seu bloqueio em SP

Restrições de Ligações em DF

Nova lei dos Call Centers

Vá de bicicleta!

Chega da ditadura do automóvel!

Queridas leitoras – um texto sobre igualdade entre os sexos

8 março, 2012

Hoje, na verdade, é um dia triste que relembra o massacre de tecelãs americanas quando reinvindicavam melhores condições de trabalho e direitos iguais aos dos homens numa fábrica de Nova York.

A mensagem que ficou pro mundo foi bem clara: Homens e mulheres merecem direitos iguais nas relações civis e de trabalho. Nada mais justo!

Sempre é bom explicar que os sexos não são iguais e ainda bem! Mulheres resistem mais à dor, homens tem mais força no braço, mulheres choram mais fácil, homens são mais fofoqueiros (teoria que tenho comprovado todos os dias). Mulheres fazem mil coisas ao mesmo tempo, homens focam com mais rapidez etc. São tantos os exemplos de diferenças que só podemos concluir que estamos aí, no mundo, é para nos completarmos e não para ficar de briguinha para ver quem é o melhor (embora a gente já saiba a resposta! ;-) ).

Então, uma coisa que me intriga é a tal da pensão para ex (para mulher ou homem). Não estou falando do pleito para os filhos, e sim para a pessoa mesma.  Por que isso? Compreendo o caso das mulheres que foram impedidas de trabalhar pelos maridos (ou vice-versa, embora bem mais raro) e outros casos similares. Mas não compreendo (talvez ainda) grande parte dos pleitos que vejo neste sentido de pessoas independentes, que querem se ver livres do outro (ou a outra), mas estão conectados financeiramente ainda.

Podemos afirmar que 99% dos processos que envolvem pessoas com poder aquisitivo elevado, têm a mulher pleiteando os alimentos e o homem incumbido de prestá-los. Registramos que, atualmente, na grande maioria desses processos, a mulher ou é ativa, possui uma atividade remunerada, ou pode ser ativa, isto é ainda é jovem e tem formação para buscar atividade remunerada e não depender mais do ex marido ou ex companheiro.” – relata a Dra. Ana Luisa Porto Borges, num texto do ótimo Migalhas que me inspirou essa postagem no horário de almoço.

Sim, horário de almoço. Que eu trabalho e ganho o mesmo tanto que meu colega. Um homem! E assim espero que continue. Podemos e temos muitas diferenças! Muitas! E isso deve ficar, deve ser respeitado e até valorizado. Fazemos o mesmo trabalho, mas nos completamos nas tarefas. Sei coisas que ele não sabe, ele sabe coisas que eu não sei. Assim que é bom. E assim que é normal.

Aquelas senhoras de Nova York deixaram uma marca pra história das mulheres. Não foi em vão. Queridas leitoras, sejamos mulheres!

(de presente, uma propaganda antiga, mas encantadora!)

5 março, 2012

Um dos grandes prazeres de ter uma carteirinha vermelha é poder ser a sua própria advogada. Não deixar que pisem tanto na sua boa vontade. Não deixar que afetem tanto o seu humor. Pela primeira vez, estou com algumas boas expectativas a respeito disso. Esta semana promete!

Qual é o segredo do ED?

28 fevereiro, 2012

Os Embargos de Declaração sempre foram minha peça preferida. Desde quando aprendi a redigi-los, senti um desafio gostoso de apontar um erro sem ser rude, de pedir uma reanálise sem criticar… Complicado!

Acho até que já redigi bons Embargos de Declaração na minha vida… Mas sou frustrada com isso. Tive pouquíssimos sucesso nos meus EDs…

Na maioria das vezes, a impressão que tenho é que o julgador nem lê, pois em muitas, tenho certeza absoluta de estar falando algo realmente concreto sobre uma omissão, obscuridade ou contradição (requisitos do ED). E, como retorno, recebo aquela decisão padrão, control C control V, sem nenhum nexo com o indicado na minha peça. Que raiva!

Então me diga, você, advogado de sucesso, qual é o segredo do ED?

Mais:

ED no Juizado Especial também comporta dúvida! (mais cuidado com o prazo que no JEsp apenas suspende)

25 janeiro, 2012

São Paulo. Feliz aniversário! Espero que o pior portal de Tribunal de Justiça do Brasil possa se renovar e combinar mais com sua cidade.

O Rio de Janeiro, tão lindo… cidade tão mutilada… Torço pela sobrevivência de sua gente feliz.

Belo Horizonte. Cidade querida. Acorda pra vida!

Estes são meus votos no difícil 25 de janeiro.

O sexo que dá pena

22 janeiro, 2012

Vamos falar do assunto. A conversa agora é descobrir se a menina do Big Brother foi ou não estuprada. Eu perdi essa cena, assim como Luiza, que estava no Canadá. Mas como é impossível fugir dos virais, me atualizei e escrevo agora o que penso.

Primeiramente, se havia dúvida quanto a um possível estupro, a produção do programa seria obrigada a intervir. O programa é sempre editado, mesmo em payperview. É monitorado a todo momento e a cena foi acompanhada em detalhes, com certeza. Na dúvida, custava nada interromper as as carícias, diretor. Poupava todo mundo. Mas podia perder uma verdinha com ibope…

Não temos aqui a noção do quanto a moça estava consciente ou inconsciente, ou o quanto ela foi orientada a falar e/ou mentir…  Então vamos seguir com uma consulta aqui e outra ali do Código Penal.

O abuso sexual e o estupro, com a mudança da lei ocorrida em 2009, receberam o mesmo tipo penal. Vide texto.

Estupro

Art. 213. Constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, a ter conjunção carnal ou a praticar ou permitir que com ele se pratique outro ato libidinoso: Pena – reclusão, de 6 (seis) a 10 (dez) anos.

Antes o estupro era considerado apenas contra a mulher, agora pode ser também contra o homem. E antes haveria a consumação apenas com a conjunção carnal (ui!), agora é com a prática de qualquer outro ato libidinoso (use sua criatividade!).

Mas observe o detalhe da “violência ou grave ameaça” no texto. Este, até onde sei, não houve no programa.

Daí, há um artigo, introduzido também pela Lei 12.015 de 2009,  o art. 217-A, que contém o tipo penal de estupro de vulnerável, que tira a necessidade de “violência ou grave ameaça”, e fala da prática de qualquer ato libidinoso com menor de 14 anos sem discernimento para resistir. Além disso, em seu parágrafo primeiro, expressa:

Incorre na mesma pena quem pratica as ações descritas no caput com alguém que, por enfermidade ou deficiência mental, não tem o necessário discernimento para a prática do ato, ou que, por qualquer outra causa, não pode oferecer resistência.”

Observe que no art. 217-A chama atenção a “enfermidade ou deficiência mental”, o que não se identificou até o momento . Existe também o trecho “ou que, por qualquer outra causa, não pode oferecer resistência”, o que gera uma discussão enorme doutrinária e fática e pode complicar um pouco mais a vida do brother.

No meu amador entendimento de penal penso que talvez a conduta descrita pelos milhares de internautas (e não confirmada pela polícia ou pelos participantes do programa) se encaixe mais nesta outra opção também do código.

Violação Sexual Mediante Fraude

Art. 215. Ter conjunção carnal ou praticar outro ato libidinoso com alguém, mediante fraude ou outro meio que impeça_ou dificulte a livre manifestação de vontade da vítima: (Alterado pela L-012.015-2009) Pena – reclusão, de 2 (dois) a 6 (seis) anos. (Alterado pela L-012.015-2009)

Isso é um assunto que, além de dar pena, dá pano pra manga, porque tem que ser verificado até onde havia o poder de livre manifestação ou não da mocinha. Se houve fraude ou outro meio para impedí-la e quem foi que se valeu disso? Quem ofereceu a bebida que a desacordou?

Olha a sequência do artigo 215 do CP.

Parágrafo único. Se o crime é cometido com o fim de obter vantagem econômica, aplica-se também multa. (Alterado pela L-012.015-2009)

Que houve vantagem econômica nesta prática, aí não há dúvida. E não foi para o acusado.

A versão que temos até agora é que os dois envolvidos negam o crime e isso seria um ponto final se nada disso tivesse passado na televisão.

Sabemos que a emissora estava bem bela acompanhando a duvidosa prática libidinosa e se omitiu de preservar a controvérsia. Temos essa informação concreta.

E sabe qual o crime que tem a maior pena no mundo?

Praticar ou parecer que praticou ato ilícito que venha a ser exibido em horário nobre da TV.

Para este crime, que afeta a opinião pública, não há progressão de regime, não há perícia que prove o contrário, não há absolvição. O perfil de seu agente ativo é geralmente o homem comum que é selecionado em períodos próximos a grandes lapsos temporais de notícias bombantes. Sua maior conseqüência é anestesiar a população e fazer esquecer o salário dos vereadores, os superfaturamentos de obras do governo, as filas de hospitais e a folha de pagamento dos professores estaduais. Este crime se consuma num olhar de reprovação do apresentador de televisão. E não tem perdão.

Quando é que fomos mais inteligentes mesmo, Carlos Nascimento?

Mais:

Texto muito bom sobre Estupro de Vulnerável

MP em ação…

O caso da Escola Base

Muito além do cidadão Kane

Dê uma chance

31 dezembro, 2011

Reza a lenda que, para o cachorro, cada dia que passa, equivale a sete dias na vida humana. História antiga essa e comprovada apenas com pequenos cálculos e regras de três entre a nossa vida e a do quadrúpede.

2011 foi um ano de cão: valeu por sete. Para mim, foi um ano extremamente múltiplo por motivos pessoais, profissionais, mundiais e metafísicos. O Japão dos meus amigos sacudiu, o oriente médio de outros virou a mesa, a Europa se manteve segurando as pontas enquanto pode, no Brasil os professores pediram socorro, Neymar e Anderson  engordaram os bolsos. Pessoas fizeram coisas que nunca tinham feito antes! Muitas amigas se casaram, outras deram a luz e eu joguei um bolinho de queijo pela janela do restaurante. O mundo que era dos nuncas, mudou para sempre. Na minha pequena caminhada, deixei de ser estagiária. Formei. Passei na OAB.  Assisti a Filarmônica de Berlim! Mandei flores para as avós na primavera. Rolei na grama da praça de madrugada. Apanhei, mas apanhei com força da vida de adulta. Fiquei sem dormir, tive pesadêlos, espamos musculares, falta e excesso de apetite.

Na minha lista de nuncas veio mais uma surpresa. Levei um susto com a repercussão do último texto. Foram 740 compartilhamentos e contando! Adorei os comentários e e-mails recebidos. Impressões e expressões trocadas, o que eu vejo é que a maldade já se promove demais. A gente não precisa dar mais publicidade a ela. Tem alguém aí que não sabe que o horror existe? O mundo anda tão tendente à morbidez… as pessoas preferem se reunir em torno de uma briga na calçada a assistir palestras gratuitas do outro lado da rua. Fora que a mão que compartilha a foto do bichinho machucado é a mesma que curte o rodeio de Barretos, né. Não vamos forçar a amizade.

No mundo dos sempre já há tanto jeito de estimular as boas ações que não com o velho discurso da tragédia de entretenimento. Olha as intervenções urbanas! As campanhas publicitárias pela tolerância, as pequenas ações do cotidiano como levar ração na bolsa e ajudar catadores de latinha (sim, faço isso). São tantas músicas, vídeos, textos, palestras, livros, crianças para educar… Tem tanta ONG precisando desses revolucionários de facebook… Não é difícil descobrir alternativas criativas.

Violência gera violência. John Lennon costumava pedir uma chance para a paz. Era tudo que ele dizia, ele dizia! Não custa muito. Vamos tentar! Enquanto isso, as denúncias tem sim seu lugar, cabimento e forma. Na imprensa e internet, devem ser informativas muito mais que apelativas como tenho visto. Além disso, e principalmente, devem ser explícitas e detalhanas no judiciário e também no legislativo e no executivo. A gente tem que ser mais ativo com essa galera. Damos muita moleza para todos eles.

Mas eu confio que cada um esteja fazendo o máximo que consegue. Eu estou.

Ia dizendo que neste ano penei demais com essa brincadeira de ser gente grande. 2011 foi um ano múltiplo. Estou me repetindo. E foi mesmo. Um para sete. Um para oito… nove. Meu ano valeu por dez.

Hoje, quando chegou um e-mail do cliente agradecendo pela dedicação, tive ímpetos de dançar. Trabalhar muito é ainda o jeito que temos de conquistar uma vida digna. Outras opções não fazem parte da minha realidade. Somos 7 bilhões no mundo. A concorrência está aí. Tudo tem que ser muito suado nesse país que eu estou existindo. E posso garantir assim que, embora eu tenha o sono eternamente atrasado, mantenho meus sonhos em dia.

Meu cliente me agradeceu. Meu chefe ficou feliz. Meu cachorro me recebeu pulando. E um gato comeu o bolinho de queijo que achou na rua. As coisas estão caminhando e eu não posso reclamar.

“Missão cumprida” – ela disse. Amanhã começa de novo. Dê uma chance para a paz. Is all we are saying!

Feliz 2012.

Mais:

Projeto Focinhos

Leis Brasileiras de Proteção aos Animais

Vote na Web

Museu da Corrupção

Excelências

Somente boas notícias: por um mundo mais feliz

365 nuncas (um dos meus blogs preferidos! Sentirei saudades!)

Ps. A imagem que ilustra esse texto é uma produção do grande Marcel Marlier, um senhor belga que ilustrou todos os livros da coleção infantil das aventuras da pequena Martine (traduzida para “Anita” em Português). Ele faleceu no início deste ano e quase ninguém ficou sabendo. Os jornais estavam ocupados demais com outras notícias…

A ilusão de consertar o mundo com imagens chocantes

18 dezembro, 2011

Me diz uma coisa, o que você faz quando fica sabendo de uma notícia chocante, quando assiste um filme com a verdade “ crua”, quando vê imagem de alguém batendo em criança, velhinho, gato ou cachorro?

O que você faz? Você corre para a polícia, para os jornais, para a justiça? Você monta uma ONG, se inscreve em trabalhos voluntários, decide se vingar sozinho? Você estuda o assunto, traço um plano e ajuda todo mundo?

Quais são as atitudes diante de algo chocante?

Desde algum tempo venho reparando que cenas chocantes fazem muito mais mal do que bem para qualquer cabeça. Uma coisa é você encontrar um cachorro todo machucado na rua e estar há dois quarteirões de um veterinário. A outra é você estar no seu facebook vendo notícias sobre viagens dos seus colegas e se deparar com cenas completamente irracionais de maldade alheia, sobre as quais não temos a menor possibilidade de interagir para ajudar, interromper ou punir.

Acho ainda mais preocupante é ver que colegas meus, que formaram comigo em Direito, estejam divulgando imagens de uma tal que bateu num cachorro e mandando assinar uma petição para mandar a mulher pra cadeia

Eu não assisti Faustão nem Gugu hoje, mas não duvido nada que ela já tenha passado por lá chorando e pedindo desculpas para o auditório nervoso.

Lamento dizer que dificilmente esta senhora irá para a cadeia. Não na atual legislação. Existe pena para maus tratos contra animais (Lei 9605/98), e devem ser denunciados sim, mas é rara uma condenação. Nem gosto de falar sobre isso, pois acho ridículo. No meu mundo perfeito qualquer um que machucasse animais e/ou seres humanos sofreria sérias consequências (sim, deveríamos ser vegetarianos nesta lógica). No nosso mundo imperfeito, ainda são poucos a pagar por isso. Vide o caso do João Hélio, que obviamente é ainda mais grave que o caso do cachorrinho.

Desde quando petição na internet leva alguém pra cadeia?

As petições podem servir para mobilizão para interromper manifestações estranhas, talvez até algumas obras, mas elas não servem como base para a condenação penal  de ninguém.

Aí, o que acontece quando os amigos colocam fotos chocantes na internet? As pessoas ficam chocadas. E pessoas chocadas, ao contrário do que se espera, ficam inertes, catatônicas, bobas e perdem boas noites de sono que poderiam ser úteis para os dias de trabalho. Ou seja, não ajuda porcaria nenhuma.

Então, numa boa, tirem essa coisa de mau-gosto do meu mural. Sabemos que o mundo não é cor-de-rosa, que existe maldade demais e impunidade demais. É triste. Não é necessário avisar como se fosse novidade e como se uma postagem no facebook fosse resolver a crueldade humana.

Ajudemos de outras formas. Vamos adotar animais, oferecer ração para ongs, divulgar ações, denunciar nos lugares certos. Vamos parar de fingir um ativismo de redes sociais enquanto você pega a wi-fi do shopping.

Quando minha professora se acidentou, enquanto todo mundo ficava pedindo a Deus para ajudá-la no facebook, fomos na chuva doar sangue no hospital. É uma questão de ação com menos nhenhenhê. Deus nos deu cérebro, pernas e pés. Façamos algo mais inteligente com eles.

“dar alento a quem dele necessita é dever moral do homem”. da Logosofia

Mais:

Denunciar abuso contra animais

Pela defesa dos pitt bulls

Adotar é tudo de bom

Adota cão – também para gatinhos!

Animais Resgatados

“Se todo animal inspira ternura, o que houve, então, com os homens?” Guimarães Rosa

O som da justiça gratuita!

17 dezembro, 2011

Dica dos meus colegas de trabalho Eduardo Oliveira e Luis Bambirra!

“Parceria é litisconsórcio”!

Fim de ano e eleição de novo síndico

14 dezembro, 2011

Se tem duas coisas que eu não perco por nada é o macarrão dos meus avós e a reunião de condomínio aqui do prédio.

Desde que nos mudamos, eu não perdi nenhuma reunião importante, só as menorzinhas mesmo.

No início, as reuniões me atraíam com vinhos e queijos que os vizinhos amavelmente traziam. Hoje não tem mais essas gracinhas, mas continua sendo importante.

Acho meio estranho fugir dessa responsabilidade. É sua casa, pô!

Mas uma coisa é participar da reunião, oferecer para redigir a ata… a outra é ser eleita síndica!

Estou ainda em conflito com minhas emoções. Não entendo nada da questão e agora sou a nova síndica.

O que um síndico precisa saber? O que eu sei de engenharia, infiltração, conserto de portão, pintura de garagem?

Minha única sugestão para o condomínio seria incrementar mais o mural e liberar geral para os cachorros, fora isso, sou uma reles moradora. Era. Agora sou a Senhora Síndica e vamos estudar o assunto. Convoco todos os leitores a me ajudarem, antes que eu seja destituída (por 1/2 + 1 dos condôminos como indica a nova lei).

E você, que está aí escondendo atrás do seu vizinho nas reuniões, saia dessa, candidate-se para fazer diferença no seu prédio. A gente aprende junto!

“just the girl next door!”

Vamos decorar?

11 dezembro, 2011

Ah, como esse mundo gosta de testar a nossa memória para coisas que facilmente encontraríamos no google, certo?!

Até hoje nunca encontrei em provas perguntas como “o que você mudaria na justiça para torná-la mais célere?”. Não. Ao invés de soluções inteligentes para problemas prementes, a sociedade encontra prazer em nos manter acordados a noite inteira sobre um livro para decorar coisas que, a princípio, não se ligam com nenhuma forma razoável de tornar a vida mais feliz.

Estudar não teria que ser para melhorar a vida?

Ontem, enquanto eu almoçava com meu querido colega de trabalho, companheiro de almoço e serestas na praça, Rafael Penido, ouvi relatos que me interessaram profundamente! Ele me contou sobre seu professor (infelizmente esqueci o nome) que mastiga a parte chata do direito para os alunos e passa ótimas dicas para decorar coisas de forma eficiente, sem a necessidade de encher seu corpo de cafeína para aguentar mais duas horas sobre um livro. Adorei esse cara!

Repassarei algumas das dicas para o blog e espero, com isso, tornar a vida de alguém um pouquinho menos massante. Segundo o Rafa são infalíveis! (Rafa, me passa o nome do professor para a gente colocar os créditos).

Dicas para decorar o número de ministros nos diversos tribunais superiores.

STF  –  Somos um Time de Futebol  –  (11)

STJ – Somos todos de Jesus – (33) – Jesus morreu com 33 anos

TST – Trinta sem três – (27)

TSE – Todos Sete – (7)

STM –  Somos Trinta  pela Metade (15)

Mais dicas para decoreba, gentileza colocar nos comentários ou enviar e-mail para direitoelegal@gmail.com (informo a fonte).

Atualização: Rafa contou que o dono das idéias se chama Adail Ribeiro Motta. Obrigada, prof. Adail!

Feliz dia da justiça

8 dezembro, 2011

Pra você que também acha que ela não merecia ter esse nome… que não está merecendo letra maiúscula…

Feliz dia da justiça pra você que já viu que o glamour da profissão de advogado não se estende aos advogados. Pra você que lê no manualzinho da OAB que nós temos a mesma hierarquia que o juiz, mas que não é recebido para despachar. Para você que está com um processo concluso com urgência desde maio! Pra você que não pode acreditar no siscom dos sites dos tribunais, que não consegue informação por telefone e nem resposta do correspondente.

Feliz dia da justiça pra você que sabe que os estagiários é que estão lendo a sua petição começando pelos pedidos. Para você que nunca viu um ED ser provido, e seu erro sanável ser sanado.

Feliz dia da justiça para você que também trabalhou hoje. Que tem as olheiras da cor da noite e ainda espera fazer desse universo uma coisa mais justa.

Feliz dia para você!

 

Emancipate yourselves from mental slavery.” Bob Marley

Seu escritório é legal?

1 dezembro, 2011

Assim como Martin Luther King, eu também tenho um sonho. Um para contar agora e outros tantos para compartilhar depois.

O sonho do momento é ainda distante, mas está martelando na minha cabeça: tenho o sonho de criar um escritório para mim. Mas eu queria um escritório de direito realmente legal.

O seu é legal? Deve ser legal pelas pessoas, pelos clientes, pelo salário talvez… mas ele passa essa sensação de primeira?

Para começar, a OAB fez o favor de não deixar nenhum advogado colocar nome legal no escritório… É tudo Fulano & Siclano… Preguiça… Nesse ponto, morro de saudade da publicidade com escritórios coloridos, almofadas divertidas, bonequinhos nas mesas, bilhetinhos nos banheiros, nas portas, nos cartões de visita…

Eu não entendo muito bem a relação de por que o escritório de direito tem que ser todo padrão para passar a idéia de sobriedade para o cliente e o escritório de publicidade tem que ser todo doidão para passar a idéia de criatividade para o cliente.

E se a gente unisse o útil ao agradável? O cliente fugiria? O juiz nos condenaria por isso?

Nos dois casos, os dois profissionais mexem com fatos e relações muito delicadas de seus clientes. Os dois trabalham com comunicação, idéias, fatos e persuasão.  Os dois devem ser sérios no que fazem. Mas podem se divertir trabalhando, não?!

Então o meu sonho é ter um escritório feliz! Que funcionasse 24h porque tempo é dinheiro, tempo é prazo, tempo é vida e eu rendo muito mais de noite (sem risadinhas, por favor)! Queria tudo diferente, com petições diferentes, mas ricas em detalhes, informações e cuidado na diagramação.

Aí,  olha o meu plano:Ter um escritório com puffs, mas ao mesmo tempo poltronas e tudo para todo mundo ficar confortável. Nada de couro. Nada de quadros abstratos, quero cenas de filmes como de Pursuit of Happines que é um estímulo para qualquer trabalhador (ou Jerry Maguire, ou Erin Brockovich). É bom também ter mais janelas abertas que ar condicionado! E quero um liquidificador para a vitamina da tarde. Além de uma cadeira massageadora para o funcionário do mês. Vou colocar relógios com horários do mundo inteiro nas paredes. E muitos globos (amo!). Muitos mapas! Frases em latim no banheiro! Muitos murais de lembretes, canetas e post its coloridos. A área adminsitrativa do meu escritório vai ter que ser grande porque eu sei que esse lado na vida do advogado é fundamental!

E a galerinha tem que ser animada. Tem que gostar de cantar. Gostar de rir dos próprios problemas e tem que ter muuuuito jogo de cintura. Aliás, esse seria o nome do meu escritório se a OBA deixasse: Jogo de Cintura. Acho que é a principal habilidade que o advogado tem que ter para lidar com juiz, escrivão, servidor, delegado, promotor, aspron, projudi, os sites malucos e despadronizados dos tribunais, os horários de pico, os e-mails travando, a greve dos correios, o sistema fora do ar… Jogo de cintura é tudo!

Tão bom sonhar…

Me diz, tenho alguma chance de conseguir clientes?

Mais:

Revista Americana traz os escritórios mais legais do mundo

Como os escritórios de advocacia devem fazer marketing

“Sorte é isto. Merecer e ter.”

Guimarães Rosa

corrida

30 novembro, 2011

Só não te digo que estou trabalhando igual uma condenada porque o trabalho dos condenados, quando existe, é bem menor que o meu. Tema este recorrente nas monografias… Não vou entrar nessa discussão agora. De qualquer forma, não trocaria de lugar por nada.

Amigos, obrigada pelos incentivos!

Neste fim de semana comemoraremos um thanksgiving atrasado no café da manhã de domingo! Vai dar muitas lembranças do final da faculdade, do exame da oab, dos clientes exigentes, dos clientes menos exigentes, dos chefes, dos colegas de escritório, das férias… Ou, minha lista ficou grande.

Agradeço aos leitores também que estão na casa dos 300 por dia mesmo com poucas atualizações. Hoje mesmo eu falei que direito é chato demais quando vi que tinha que fazer mil juntadas de subs (a peça mais nheca de todas), aí lembrei do blog e, peraí, eu não tenho direito de achar direito chato! Então, beleza, direito tem pagado algumas contas e alguns sonhos. Direito é legal.

Tchô ir!

vrrrruuum

Ah, esse coração…

13 novembro, 2011

Virou notícia no Migalhas e circulou nos e-mails de escritórios. Um juiz despachou com emoção sobre o fim de um relacionamento.

Se o caso tinha relação, eu não sei. É bem possível que não! Estamos falando de uma vara da fazenda pública e as partes são um homem e uma empresa pública… Seria uma metáfora ou só um despacho autêntico de um juiz para liberar esse coração cansado de sofrer.

Vamos contemplar. E tentar entender essa coisa difícil, complicada e simples, doída e boa que a gente chama de amor!

7ª Vara da Fazenda Pública do Foro Central da Comarca de Porto Alegre

Nota de Expediente Nº 1486/2011

001/1.08.0126231-7 (CNJ 1262311-86.2008.8.21.0001)

Escolha a hora e as palavras certas, mas não espere nem mais um dia para terminar este relacionamento

SEJA SINCERO…

Diga: “Não quero mais” ou “Não está dando certo” ou “O amor acabou”. Não ponha a culpa no trabalho, na fome mundial ou no time que foi parar na série B. Qualquer coisa que você diga que não tenha a ver exclusivamente com seus sentimentos e planos em relação a ela vai deixar margem para que a garota pense que é uma fase e que vai passar. Sim, passou: passou o amor. Seja simples e direto. “O que quer que você diga, não é o que ela quer ouvir. Então economize”, diz Francisco Daudt.

…E DIPLOMÁTICO

Diga o quanto foi bom enquanto vocês estavam juntos e que infelizmente as coisas já não são mais como no início. Não precisa dizer “eu nunca te amei” ou “não sinto mais tesão”. “Seja eficaz, sem causar danos desnecessários”, aconselha Ailton Amálio.

TENHA CERTEZA DO QUE QUER

O relacionamento esfriou, caiu na mesmice, o tesão diminui? Bem, acontece nas melhores famí­lias. Mas o quanto isso é culpa dela e qual a sua parcela em não fazer nada para chacoalhar essa história? “O problema é que os casais deixam a coisa chegar ao ponto extremo de não se suportarem mais, quando já não dá mais tempo de reformular a relação. Ninguém é obrigado a ir ao Nota para parte autora: alvará à disposição.

Porto Alegre, 4 de novembro de 2011

Mais:

 

“Tão bom morrer de amor e continuar vivendo”

Mário Quintana

Só o começo

7 novembro, 2011

Eu estava pronta para uma segunda-feira pesada.

Ao contrário disso, tomei um apanhado de surpresas e notícias boas que me convidaram a desconfiar sobre o meu futuro!

Vamos por partes. Hoje o trabalho, ao contrário do que imaginei, foi leve. Não muito, porque essa vida nunca é leve suficiente pra gente relaxar, mas foi bem menos sofrido. De tarde, teria que pegar a minha carteira de advogada, depois de meses esperando a confecção. Peguei uma chuvinha fina antes de chegar na OAB. Papai já estava lá todo felizão, achando que sou mais inteligente que o normal. Gosto quando ele pensa isso! Deixa quieto!

De lá, saí pronta para desmaiar de fome na rua, voltei correndo pra casa e meu cachorro já me chamava de dotôra. Liga minha prima, aquela mesma de alguns posts atrás que perdeu a Blume, sua cachorrinha. Ela ligou feliz. Muito feliz. E não era porque eu tinha a carteira. Ela encontrou a cachorrinha! Por incrível que pareça, um homem viu o cartaz, desconfiou do vizinho e recuperou a Blume pra gente. O céu se abria!

O dia estava anoitecendo e era só o começo pra mim. Vi o mundo passar pela janela do carro. Visitei família. Conversei com namorado. Comemorei o que tinha que ser comemorado.

Relembrei os anos de serviço externo, as noitadas de estudos, as manhãs de cursinho com ar-condicionado e esse espaço legal. Não foi fácil pra mim. E tudo para ver a minha cara de Mona Lisa na carteira vermelha, perguntando com a mesma astúcia do Renascimento que mudanças posso provocar agora.

E a minha primeira grande transformação será a de não me moldar na imagem que as pessoas tem de advogadas (os). Tenho um pensamento que me diz que querer ser melhor exige também uma grande dose de humildade, coisa que o serviço externo te obriga a ter e que o advogado não deve  perder. Não quero jogar fora minha outra formação, minhas conclusões particulares e meu futuro brilhante como a melhor filha do mundo dos meus pais.  Me deu vontade de abraçar o mundo (humildezinha, né)!

Eu vou, pelo menos, tentar.

Foi isso que aconteceu hoje.

"Esse é só o começo do fim da nossa vida
 Deixa chegar o sonho, prepara uma avenida
 que a gente vai passar" Los Hermanos