Archive for the ‘Vida’ Category

Tenho umas coisas para falar

8 junho, 2016

E não é nada do que está em pauta atualmente.
Na verdade, comecei a escrever sobre muita coisa em pauta atualmente e achei que estava falando só mais do mesmo. É claro que não faz sentido mais alimentar a cultura do estupro. É claro que ainda temos tanto a abrir os olhos sobre isso que nem sabemos a dimensão ainda. Mas o meu textão não era inovador. Não valia a pena. Não desta vez. Então eu só fiz linkar textos que me agradaram muito sobre o assunto na página do facebook do Direito é Legal. Porque afinal, agora 60% dos internautas pensa que facebook é a internet inteira. Hehe! E talvez um outro punhado pense que só existe internet onde existe redes sociais. Não condeno. Essas coisas tomam contam de uma forma… meio perigoso, meio perigoso.

Aproveito para informar você, que gosta de ler, que tem texto meu para o portal Assim Passei também.
Mas meu vídeo aqui abaixo não é nada sobre essas coisas. Não é sobre a triste história da menina e dos 30 rapazes. Não é sobre todas as tristes histórias que o Brasil tem vivido nestes últimos meses (ou anos) porque, sinceramente, eu adoraria poder espalhar mais alegria pro mundo. Sério mesmo!
O meu vídeo é sobre a minha história de idas e vindas, mas sem muita explicação, já vou explicando. Sabe quando você primeiro tem que viver e entender para depois poder explicar melhor? Pois é. É mais ou menos isso.

É mais ou menos isso.

Vídeo aqui. 

 

Dias de silêncio

16 novembro, 2015

Queridos leitores,

estes dias tem sido muito duros e muito estranhos. Não sei se todos sabem, mas sou mineira e vivo na França. O impacto tem sido forte e eu,  que sempre gostei de escrever, fiquei sem palavras. Aliás, 2015, francamente…

Na verdade, já ensaiei começar diversos textos, mas não consigo finalizar. Busco terminar com uma mensagem positiva e uma solução concreta pra não deprimir ninguém, mas ainda não tenho nada além de pedir para espalharem amor e conhecimento. Bom, tenho as boas notícias do Sebastião Salgado confiante na recuperação do Rio Doce e do Anonymous confiante em avacalhar tudo pros terroristas, mas é bem verdade que estamos precisando de muitas, muitas, uma chuva de boas notícias para compensar essa seca (maldito trocadilho).

Mesmo assim, não queria deixar esse blog em branco por mais um dia porque sei como é estranho quando as pessoas se abstêm de pronunciamentos sobre assuntos relevantes. Alguns minutos de silêncio são necessários. Mas depois é preciso falar. Acho que é uma hora que todo mundo deveria se abrir. Não para falar do que não sabe, mas falar do que sente, do que espera. Bastaria isso, né?!

Tenho colado alguns links na página do facebook do Direito é Legal. Quem quiser, acompanhe lá.

E por falar em facebook, tá aí mais uma coisa a ser superada. Esse patrulhamento de filtros de foto de perfil. Gente, sério. Achei que já tínhamos passado dessa idade.

Mas, enfim, deixo aqui alguns links para textos que escrevi recentemente sobre os temas que têm nos apertado o coração:

Um na quinta ( Existe amor na era do desapego) e um hoje para uma amiga que tem outro blog (A sexta-feira 13 de uma mineira que vive na França).

Também deixo um desenho bem simples que fiz. Mas foi o que deu. Queria desenhar como o Liniers (sonho alto!).

fotoRios

Semana passada foi a semana internacional da gentileza (tinha feito vídeo de um flashmob que participei, ainda não editei e agora perdi um pouco a motivação) e hoje foi o dia internacional da tolerância. Olha que coisa. Estamos exercitando isso? Deixo a reflexão.

Um abraço grande para esse mundo e para os leitores que estão sempre por aqui.

Didi

Neste mundo cheio de cores

26 junho, 2015

 

Hoje eu estava vendo uma construção muito grande. Enorme. Na verdade era uma catedral. A catedral de Milão. Ela é enorme e toda trabalhada, no estilo gótico. Não existe uma pedra que não esteja com uma escultura, um desenho, um enfeite. Ela deve ter demorado anos e anos para ser feita e pelas suas dimensões imagino que muita gente tenha se acidentado durante sua construção. Aí me perguntei “mas, gente, pra quê tanto trabalho?”. Quando minha tia comentou uma coisa que fez todo sentido “Quando eles estavam construindo, não tinham tempo para destruir”. Verdade! Refleti mais adiante e vi que isso é válido até hoje, né?! Na maioria dos casos, ou estamos construindo, ou estamos destruindo.

Foi a conta de sair dessa visita que uma wi-fi gratuita fez meu celular captar alguma coisa. Era uma mensagem que dizia « mais um ataque na França, que tristeza ». Depois veio outra mensagem, de outra amiga « ataques no Kwaitt e na Tunísia ». O mundo dos extremos só queria destruir.

Um dia triste para muitos trabalhadores, turistas, pessoas que pensavam diferente. Uma tragédia sem nenhuma explicação, com motivações que não pertecem ao que a gente conhece como razoável. Mas o mundo é grande, e hoje ficou maior ainda.

Enquanto uma parte dele não consegue ver a mínima possibilidade de aceitação da diversidade, outra parte mostrou que pode.

Foi dessa forma que a Suprema Corte Americana definiu como constitucional o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Uma decisão inédita para os Estados Unidos e que que não muda em nada a vida de quem ama alguém de um sexo diferente, mas facilita em muito a vida de quem ama e partilha bens ou quer partilhar bens com seus iguais. O mundo não fica mais ou menos gay com a decisão, mas fica mais leve. E hoje, sem dúvida, mais colorido!

No Brasil, a união estável homoafetiva é aceita desde 2011 como equivalente à união estável hetero. Não é exatamente igual ao casamento, mas tem grandes semelhanças e é vista como equivalente por analogia. A união estável reconhecida reduz (reduz, não elimina) os problemas  em relação a herança e a partilha de bens em caso de morte ou separação. Decisão semelhante e inclusiva, vinda dos Estados Unidos, país com enorme poder político e econômico, me deixa com aquela sensação gostosa de que é pra isso que existe justiça!

Passadas algumas horas, outra surpresa! A notícia de que foi sancionada a lei em São Paulo que proíbe o foie gras e a pele animal. Foie gras significa fígado gordo em francês e se pronuncia fuá grá! É melhor eu não entrar em detalhes de como isso acontece com os patos porque é horrível. Esta lei enche meu coração de alívio e de esperança para que sirva de exemplo para o resto do país (quiçá do mundo) também. Menos tortura para calcular no nosso débito de humanos tão desumanos.

É triste pensar que num dia de tantas alegrias, ainda temos que contar mortos, massacres, crueldades. Aliás, nunca existiu um dia sem sangue na nossa história. Sempre preferi escrever o lado bom do mundo a falar do lado corrupto, assassino, intolerante. Mas hoje achei honesto falar desses opostos.

Este 26 de junho me pregou uma peça. Enquanto eu achava que veria só destruição, vi crescer aquele montinho de esperança em decisões sábias, que esfarelam problemas. Que espalham a empatia, a compaixão legítima, a tolerância ao diferente. E por mais que tenha havido destruição, hoje também vi tijolos ganhando altura nessa peça de arte que a gente chama de vida. Hoje, apesar de tudo, eu estou muito orgulhosa de ver ser construído este mundo. De estar neste mundo.

Neste mundo cheio de cores!

deusadajustiça

#lovewins

Mais:

 

Reportagem sobre a decisão da Suprema Corte. Em Inglês.

Sancionada lei em SP que proíbe Foie Gras e pele animal

Já falamos aqui sobre Common Law e Civil Law

Double Rainbow 

Repare nessa charge ilustrativa e, se quiser, leia um pouco sobre o que já falamos sobre a Deusa Themis, deusa da Justiça

O youtube  do Direito é Legal.

Comentários Aleatórios Legais – o primeiro e talvez único!

8 junho, 2015

É engraçado como as informações vão mudando de formato para atrair as pessoas. Tenho a impressão que até para escutar ou ler foi preciso acelerar para conseguir atenção. E nessa corrida não deixo de pensar que nossa atenção e até nosso sistema nervoso começam a sofrer com tanta informação, tanta coisa disponível e tão difíceis critérios de escolha.

Nunca se leu tanto e nunca se soube tão pouco, poderíamos concluir rapidamente (porque nossas conclusões também tem pressa). Ok, concordo que não estamos retendo muitas informações. Outro dia até republiquei uma imagem na nossa página do facebook que dizia “Respeite os mais velhos, eles se formaram sem google e wikipedia”. Embora a gente possa saber muita coisa, tendemos a fazer da internet uma extensão do nosso cérebro para armazenar informações. Mas e a consciência? O que passou a ser a nossa consciência? O blogueiro? O jornal? Tenho colegas na França que repetem tudo que o “Le Monde” escreve como se fossem verdades absolutas… Mesmo que seja um ótimo jornal, é o editor dele que determinará a sua forma de pensar?

Como saberemos que estamos lendo os textos certos, escutando as pessoas certas, se ligando aos canais corretos? Não saberemos porque não há um único certo, mas também não há um só errado. Temos identificações. E valores que queremos que sejam respeitados. É possível sim perder muito tempo na internet, e fora dela. É possível ser enganado por falso moralismo, vidas deslumbradas e até dicas de etiqueta! Mas o que me parece pior de tudo é que é possível passar a vida tentando não perder tempo e estar sempre perdendo com a impressão de que perdemos algo que estava acontecendo ali na outra página enquanto você estava nessa. A famosa síndrome do missing out. E essa não nos deixa culpar mais ninguém pela nossa miséria.

Que limitação!

Outro dia estive num evento em Madri Ao ver o programa, duas palestras sobre cidades criativas me interessaram muito. Fiz a inscrição. Ao chegar lá, fiquei meio perdida em relação aos espaços de conferências. Fui assistir a mais central que achei e quando percebi, as duas palestras que haviam me interessado estavam acontecendo simultaneamente, cada uma numa espaço diferente do outro e eu estava em um terceiro e com vergonha de sair no meio da palestra (aliás, não curto isso de jeito nenhum).

Dentro de mim mesma tentei encontrar diversos culpados: falhas na comunicação do evento, falhas na percepção dos temas, falhas nas indicações dos lugares do evento, falhas, falhas. A maior falha era minha mesma, porque eu tinha tanta certeza que veria as palestras que nem cogitei que elas seriam expostas sem grandes anúncios logo no início do evento.

Mas será que falhei tanto? As outras palestras que assisti, sem que tivesse havia me programado para assistir me levaram a informações que eu nem esperava adquirir. Uma delas foi sobre a criação do Change.org, outra foi sobre a economia de intercâmbio. E mais, esses movimentos me levaram a ter ideias novas, que nunca esperaria ter. Conheci pessoas diferentes de mim e aprendi eu também a ser um pouco diferente do que era ao entrar lá. Acho que ouvi muito mais do que não sabia abrindo os ouvidos para coisas que a princípio nem me atrairiam. Por fim, valeu a pena cada minuto!

Portanto, meu colega, tudo que estou falando é apenas para nos tirar essa culpa de não estar onde queríamos estar. Fique calmo! Talvez sair um pouco do que você mesmo havia planejado ver possa contribuir para aumentar a sua visão.

E por fim, deixo aqui o meu vídeo de Comentários Aleatórios Legais. Aliás, o texto era inicialmente só para dar um olá e colar o vídeo que terminei numa madrugada de segunda-feira. Um vídeo amador sobre comentários a respeito de notícias que me chamaram atenção na semana (leis na França, o Boticário, financiamento de campanha etc). Este vídeo faz parte do canal de Youtube do Direito é Legal. Um canal que criei por vários motivos: um é porque tenho adorado essa plataforma, outro é porque acho que a gente pode diversificar nas formas de conversar com o público (aquilo que comentei no primeiro parágrafo), outro é porque eu preciso aprender mais sobre isso!

E se quiser ver o Evento de Madri, também tem vídeo aqui!

Um superabraço!

 

31 dezembro, 2013

Querido leitor,

o ano passou de duas formas: muito rápido e muito lento. Rápido porque eu tive muita coisa para aprender em pouco tempo, noites em claro,  muita gente para agradar e alegrias muito fulgazes. Lento porque alguns professores davam aula sentados, algumas respostas não chegavam nunca, algumas notícias chatas não paravam de incomodar e o frio da França (o país onde estou morando) não se resumia ao distanciamento do sol.

Mas passou!

Não preciso explicar que os problemas passados não vão terminar automaticamente com o fim de 2013. Pelo contrário, temos uma renovação de esperanças, mas também uma renovação de problemas. A começar pelos impostos (e taí o aumento do IOF de presente pra todos nós), pelos novos prazos apertados, pelas novas lutas que não podem parar (a lembrar dos movimentos que marcaram o ano) e também, como não poderia deixar de ser, pelo fato de continuarmos envelhecendo, pois só quem está vivo é que envelhece!

Que neste andar do tempo, a gente saiba ser maduro para as decisões e tolerante para as diferenças. Nem sempre as diferenças são apresentadas de forma legal e fácil de lidar com elas. Em 2013 tive a impressão que muitos dos ismos que já estávamos diminuindo voltaram com tudo, de uma forma violenta e ignorante. Que nesta virada a gente possa refletir sobre o que tem de bom pra oferecer e dar um jeito de esconder e reduzir o que a gente tem de ruim.

Peço desculpas pelo distanciamento do blog. Meu mundo ficou meio avacalhado neste sentido, mas 2014 está aí como uma nova oportunidade de maior dedicação.

Agradeço aos amigos que nunca abandonaram o Direito é Legal e aos queridos leitores que enviaram mensagens de fim de ano com o maior carinho.

Muito obrigada, gente! Esse afeto brasileiro é uma das coisas que mais admiro no meu país e que mais sinto falta!

Um excelente 2014 para vocês advogados, estudantes, juízes, assessores, funcionários de cartório e interessados em Direito em geral! Que a gente possa compartilhar melhores experiências neste próximo ano.

Este é meu anelo,

Didi

“Amigo, oculta tua vida e espalha o teu espírito”.

Victor Hugo

Você pode ganhar um presente de dia dos namorados mesmo solteiro, eu acho!

12 junho, 2012

Hoje, dia dos namorados, costuma acontecer um fenômeno muito interessante. Na verdade, são vários fenômenos juntos. Fenômeno 1 –  Todos os casais passam a aparentar estarem mais apaixonados ou não. Fenômeno 2 – Todos os solteiros passam a falar mal dos casais (o velho discurso de que mulher bem-resolvida é solteira, todo solteiro é meio clone do Cloney e por aí vai) ou não. Fenômeno 3 – Todos os românticos, mas solteiros passam a apresentar um semblante mais triste, tornando-se vítimas de seus próprios sonhos em mensagens subliminares no facebook. Ou não.

Quer dizer, o seu dia pode ter sido cheio de fenômenos curiosos, como pode não ter  tido nada demais. E você não ganhou de presente nem um presente, nem um discurso sobre como as estatísticas comprovam que as mulheres são mais felizes solteiras (e acho que são mesmo!). Aliás, você nem lembrava que hoje era dia dos namorados não fosse a amostra grátis de perfume que recebeu na entrada do praça de alimentação, não é?! Adoro datas comerciais!

Pois bem, carentes, apaixonados, chatos ou sonhadores, todos temos uma chance. Momento auto-ajuda: TODOS!

Então, é o seguinte, eu já participei de um bilhão de concursos de redação (coisa que insisto em considerar meu dom máximo, já que não vinguei no canto, dança, nem na entomologia) e nunca ganhei nada. Na-da. Nem camiseta com minha cara estampada (o que é um alívio!).

Ontem recebi este e-mail aqui abaixo gentilmente pedindo a divulgação do concurso para os estudantes e praticantes de Direito. E pensei: Poxa, eu nunca ganhei nada, mas vai que algum leitor ganha e me ensina como fazer. Então, segue, pessoal! Um presente de dia dos namorados, mesmo que nossa relação esteja bem distante ultimamente!

Um presente para você que é apaixonado por alguém. Ou para você que é apaixonado pela vida, pelo Direito, pela sua família, pelo seu cachorro etc. Você merece esta chance!

(Dica: se você não tem namorado, envie outra foto e veja como isso é interpretado pela comissão! Não custa!)

IURIS presenteia usuários do Facebook com exemplares da coleção Passe na OAB 2ª Fase
Quer ganhar um exemplar da Coleção Passe na OAB 2ª Fase? O Centro de Estudos Jurídicos IURIS, no Rio de Janeiro, está aproveitando o mês dos namorados para presentear usuários de sua fanpage no Facebook.
O concurso cultural “A Gente se Completa”, que conta com o apoio da Editora Saraiva, acontece até o dia 20 de junho. Para concorrer, o usuário precisa acessar o aplicativo da promoção, enviar uma foto com seu(ua) namorado(a) e responder a pergunta: “Como você e seu amor se completam?”. São sete títulos: Civil, Trabalho, Administrativo, Penal, Empresarial, Constitucional e Tributário.
A segunda fase, que corresponde à prova prático-profissional, acontecerá no dia 08 de julho.
A ação foi elaborada pela Agência Pulse.
Ps. A foto que ilustra o post é do Instagram da Karen Hofstetter que eu não conheço, mas sigo feliz!

Dê uma chance

31 dezembro, 2011

Reza a lenda que, para o cachorro, cada dia que passa, equivale a sete dias na vida humana. História antiga essa e comprovada apenas com pequenos cálculos e regras de três entre a nossa vida e a do quadrúpede.

2011 foi um ano de cão: valeu por sete. Para mim, foi um ano extremamente múltiplo por motivos pessoais, profissionais, mundiais e metafísicos. O Japão dos meus amigos sacudiu, o oriente médio de outros virou a mesa, a Europa se manteve segurando as pontas enquanto pode, no Brasil os professores pediram socorro, Neymar e Anderson  engordaram os bolsos. Pessoas fizeram coisas que nunca tinham feito antes! Muitas amigas se casaram, outras deram a luz e eu joguei um bolinho de queijo pela janela do restaurante. O mundo que era dos nuncas, mudou para sempre. Na minha pequena caminhada, deixei de ser estagiária. Formei. Passei na OAB.  Assisti a Filarmônica de Berlim! Mandei flores para as avós na primavera. Rolei na grama da praça de madrugada. Apanhei, mas apanhei com força da vida de adulta. Fiquei sem dormir, tive pesadêlos, espamos musculares, falta e excesso de apetite.

Na minha lista de nuncas veio mais uma surpresa. Levei um susto com a repercussão do último texto. Foram 740 compartilhamentos e contando! Adorei os comentários e e-mails recebidos. Impressões e expressões trocadas, o que eu vejo é que a maldade já se promove demais. A gente não precisa dar mais publicidade a ela. Tem alguém aí que não sabe que o horror existe? O mundo anda tão tendente à morbidez… as pessoas preferem se reunir em torno de uma briga na calçada a assistir palestras gratuitas do outro lado da rua. Fora que a mão que compartilha a foto do bichinho machucado é a mesma que curte o rodeio de Barretos, né. Não vamos forçar a amizade.

No mundo dos sempre já há tanto jeito de estimular as boas ações que não com o velho discurso da tragédia de entretenimento. Olha as intervenções urbanas! As campanhas publicitárias pela tolerância, as pequenas ações do cotidiano como levar ração na bolsa e ajudar catadores de latinha (sim, faço isso). São tantas músicas, vídeos, textos, palestras, livros, crianças para educar… Tem tanta ONG precisando desses revolucionários de facebook… Não é difícil descobrir alternativas criativas.

Violência gera violência. John Lennon costumava pedir uma chance para a paz. Era tudo que ele dizia, ele dizia! Não custa muito. Vamos tentar! Enquanto isso, as denúncias tem sim seu lugar, cabimento e forma. Na imprensa e internet, devem ser informativas muito mais que apelativas como tenho visto. Além disso, e principalmente, devem ser explícitas e detalhanas no judiciário e também no legislativo e no executivo. A gente tem que ser mais ativo com essa galera. Damos muita moleza para todos eles.

Mas eu confio que cada um esteja fazendo o máximo que consegue. Eu estou.

Ia dizendo que neste ano penei demais com essa brincadeira de ser gente grande. 2011 foi um ano múltiplo. Estou me repetindo. E foi mesmo. Um para sete. Um para oito… nove. Meu ano valeu por dez.

Hoje, quando chegou um e-mail do cliente agradecendo pela dedicação, tive ímpetos de dançar. Trabalhar muito é ainda o jeito que temos de conquistar uma vida digna. Outras opções não fazem parte da minha realidade. Somos 7 bilhões no mundo. A concorrência está aí. Tudo tem que ser muito suado nesse país que eu estou existindo. E posso garantir assim que, embora eu tenha o sono eternamente atrasado, mantenho meus sonhos em dia.

Meu cliente me agradeceu. Meu chefe ficou feliz. Meu cachorro me recebeu pulando. E um gato comeu o bolinho de queijo que achou na rua. As coisas estão caminhando e eu não posso reclamar.

“Missão cumprida” – ela disse. Amanhã começa de novo. Dê uma chance para a paz. Is all we are saying!

Feliz 2012.

Mais:

Projeto Focinhos

Leis Brasileiras de Proteção aos Animais

Vote na Web

Museu da Corrupção

Excelências

Somente boas notícias: por um mundo mais feliz

365 nuncas (um dos meus blogs preferidos! Sentirei saudades!)

Ps. A imagem que ilustra esse texto é uma produção do grande Marcel Marlier, um senhor belga que ilustrou todos os livros da coleção infantil das aventuras da pequena Martine (traduzida para “Anita” em Português). Ele faleceu no início deste ano e quase ninguém ficou sabendo. Os jornais estavam ocupados demais com outras notícias…

A ilusão de consertar o mundo com imagens chocantes

18 dezembro, 2011

Me diz uma coisa, o que você faz quando fica sabendo de uma notícia chocante, quando assiste um filme com a verdade “ crua”, quando vê imagem de alguém batendo em criança, velhinho, gato ou cachorro?

O que você faz? Você corre para a polícia, para os jornais, para a justiça? Você monta uma ONG, se inscreve em trabalhos voluntários, decide se vingar sozinho? Você estuda o assunto, traço um plano e ajuda todo mundo?

Quais são as atitudes diante de algo chocante?

Desde algum tempo venho reparando que cenas chocantes fazem muito mais mal do que bem para qualquer cabeça. Uma coisa é você encontrar um cachorro todo machucado na rua e estar há dois quarteirões de um veterinário. A outra é você estar no seu facebook vendo notícias sobre viagens dos seus colegas e se deparar com cenas completamente irracionais de maldade alheia, sobre as quais não temos a menor possibilidade de interagir para ajudar, interromper ou punir.

Acho ainda mais preocupante é ver que colegas meus, que formaram comigo em Direito, estejam divulgando imagens de uma tal que bateu num cachorro e mandando assinar uma petição para mandar a mulher pra cadeia

Eu não assisti Faustão nem Gugu hoje, mas não duvido nada que ela já tenha passado por lá chorando e pedindo desculpas para o auditório nervoso.

Lamento dizer que dificilmente esta senhora irá para a cadeia. Não na atual legislação. Existe pena para maus tratos contra animais (Lei 9605/98), e devem ser denunciados sim, mas é rara uma condenação. Nem gosto de falar sobre isso, pois acho ridículo. No meu mundo perfeito qualquer um que machucasse animais e/ou seres humanos sofreria sérias consequências (sim, deveríamos ser vegetarianos nesta lógica). No nosso mundo imperfeito, ainda são poucos a pagar por isso. Vide o caso do João Hélio, que obviamente é ainda mais grave que o caso do cachorrinho.

Desde quando petição na internet leva alguém pra cadeia?

As petições podem servir para mobilizão para interromper manifestações estranhas, talvez até algumas obras, mas elas não servem como base para a condenação penal  de ninguém.

Aí, o que acontece quando os amigos colocam fotos chocantes na internet? As pessoas ficam chocadas. E pessoas chocadas, ao contrário do que se espera, ficam inertes, catatônicas, bobas e perdem boas noites de sono que poderiam ser úteis para os dias de trabalho. Ou seja, não ajuda porcaria nenhuma.

Então, numa boa, tirem essa coisa de mau-gosto do meu mural. Sabemos que o mundo não é cor-de-rosa, que existe maldade demais e impunidade demais. É triste. Não é necessário avisar como se fosse novidade e como se uma postagem no facebook fosse resolver a crueldade humana.

Ajudemos de outras formas. Vamos adotar animais, oferecer ração para ongs, divulgar ações, denunciar nos lugares certos. Vamos parar de fingir um ativismo de redes sociais enquanto você pega a wi-fi do shopping.

Quando minha professora se acidentou, enquanto todo mundo ficava pedindo a Deus para ajudá-la no facebook, fomos na chuva doar sangue no hospital. É uma questão de ação com menos nhenhenhê. Deus nos deu cérebro, pernas e pés. Façamos algo mais inteligente com eles.

“dar alento a quem dele necessita é dever moral do homem”. da Logosofia

Mais:

Denunciar abuso contra animais

Pela defesa dos pitt bulls

Adotar é tudo de bom

Adota cão – também para gatinhos!

Animais Resgatados

“Se todo animal inspira ternura, o que houve, então, com os homens?” Guimarães Rosa

corrida

30 novembro, 2011

Só não te digo que estou trabalhando igual uma condenada porque o trabalho dos condenados, quando existe, é bem menor que o meu. Tema este recorrente nas monografias… Não vou entrar nessa discussão agora. De qualquer forma, não trocaria de lugar por nada.

Amigos, obrigada pelos incentivos!

Neste fim de semana comemoraremos um thanksgiving atrasado no café da manhã de domingo! Vai dar muitas lembranças do final da faculdade, do exame da oab, dos clientes exigentes, dos clientes menos exigentes, dos chefes, dos colegas de escritório, das férias… Ou, minha lista ficou grande.

Agradeço aos leitores também que estão na casa dos 300 por dia mesmo com poucas atualizações. Hoje mesmo eu falei que direito é chato demais quando vi que tinha que fazer mil juntadas de subs (a peça mais nheca de todas), aí lembrei do blog e, peraí, eu não tenho direito de achar direito chato! Então, beleza, direito tem pagado algumas contas e alguns sonhos. Direito é legal.

Tchô ir!

vrrrruuum

Só o começo

7 novembro, 2011

Eu estava pronta para uma segunda-feira pesada.

Ao contrário disso, tomei um apanhado de surpresas e notícias boas que me convidaram a desconfiar sobre o meu futuro!

Vamos por partes. Hoje o trabalho, ao contrário do que imaginei, foi leve. Não muito, porque essa vida nunca é leve suficiente pra gente relaxar, mas foi bem menos sofrido. De tarde, teria que pegar a minha carteira de advogada, depois de meses esperando a confecção. Peguei uma chuvinha fina antes de chegar na OAB. Papai já estava lá todo felizão, achando que sou mais inteligente que o normal. Gosto quando ele pensa isso! Deixa quieto!

De lá, saí pronta para desmaiar de fome na rua, voltei correndo pra casa e meu cachorro já me chamava de dotôra. Liga minha prima, aquela mesma de alguns posts atrás que perdeu a Blume, sua cachorrinha. Ela ligou feliz. Muito feliz. E não era porque eu tinha a carteira. Ela encontrou a cachorrinha! Por incrível que pareça, um homem viu o cartaz, desconfiou do vizinho e recuperou a Blume pra gente. O céu se abria!

O dia estava anoitecendo e era só o começo pra mim. Vi o mundo passar pela janela do carro. Visitei família. Conversei com namorado. Comemorei o que tinha que ser comemorado.

Relembrei os anos de serviço externo, as noitadas de estudos, as manhãs de cursinho com ar-condicionado e esse espaço legal. Não foi fácil pra mim. E tudo para ver a minha cara de Mona Lisa na carteira vermelha, perguntando com a mesma astúcia do Renascimento que mudanças posso provocar agora.

E a minha primeira grande transformação será a de não me moldar na imagem que as pessoas tem de advogadas (os). Tenho um pensamento que me diz que querer ser melhor exige também uma grande dose de humildade, coisa que o serviço externo te obriga a ter e que o advogado não deve  perder. Não quero jogar fora minha outra formação, minhas conclusões particulares e meu futuro brilhante como a melhor filha do mundo dos meus pais.  Me deu vontade de abraçar o mundo (humildezinha, né)!

Eu vou, pelo menos, tentar.

Foi isso que aconteceu hoje.

"Esse é só o começo do fim da nossa vida
 Deixa chegar o sonho, prepara uma avenida
 que a gente vai passar" Los Hermanos

Paris em chamas?

7 outubro, 2011

Em agosto de 1944 o general alemão Von Choltitz recebeu ordens de Hitler para destruir a linda capital da França. “Paris está em chamas?”, perguntava o fuhrer. Ele nunca respondeu. Não teve coragem de devastá-la. Paris fora poupada. Obrigada, Sr. Choltitz!

Não espalhe para as crianças, mas, às vezes, faz bem desobedecer.

Satisfações!

2 outubro, 2011

Prezado leitor,

vim prestar satisfações! Estou de férias viajando, por isso o blog anda tão desatualizado. Como se não bastasse, meu atual trabalho (que eu amo) tem me absorvido quase que a integridade do dia, e de lá é impossível atualizar o blog (acredite, já tentei!). Portanto preciso que o leitor me faça dois favores: a) seja compreensivo b) mande notícias e links interessantes que resultem numa postagem rápida para a gente não perder em periodicidade (coloco os créditos).

No mais, estou aqui em Salzburgo, conhecendo a casa do Mozart e descansando de um último semestre superapertado!

Felicidades a todos e que Outubro se mantenha um mês incrível como já está sendo!

Encontre a cachorrinha das minhas primas

29 agosto, 2011

Ganha um vade mecum novinho quem encontrar a Blume! Desaparecida desde ontem na estrada para Conconhas perto do posto Profetas na BR 040 – Minas Gerais. A cachorrinha foi furtada enquanto pararam para almoçar.

No mais, cuidado com tudo que te faz feliz.

A vida na advocacia

14 agosto, 2011

Outro dia me peguei pensando em duas formas de fazer uma defesa: Uma contando mentiras e outra contando verdades. A que contava mentiras era muito mais fácil, rápida e convincente. A outra não.

Eu não formei em Direito para isso. Para inventar histórias, criar cenas, fazer minha própria realidade. Para isso eu já fui publicitária! Profissão que tem essa prerrogativa e todos estão cientes da inventividade ali existente.  Mas quando se trabalha com justiça, as pessoas partem do pressuposto que você está falando a verdade, somente a verdade, nada mais que a verdade, certo?!

Para quem não vive nesse mundo, pode ser novidade, mas o Direito, infelizmente, tem muito de farsa. São muitas as simulações (criar o que não existe) e dissimulações (esconder o que existe) que observamos na rotina jurídica. É triste, mas comum. E ser comum é tão besta…

O trabalho sempre apresenta essas escolhas e cabe ao advogado, trainee, estagiário avaliar com a sua própria consciência o que fazer.

Nós estudamos muito, e também vivemos muito para conseguir enxergar que o mundo das mentiras não vela a pena. Bom, eu acho que não vale a pena. Me entristece.

Provavelmente, nunca serei uma advogada rica. Pelo menos não da noite pro dia. O caminho mais justo, nem sempre é o mais curto! Mas, sabe, já trabalhei para grandes clientes e ainda trabalho. Nunca me pediram para inventar, para mentir, para falsificar. Isso é muito mais uma escolha do próprio profissional que dos demais. E se não for, está tudo completamente errado.

O mundo precisa tanto de advogados honestos… Esse tipo de coisa a OAB não mede, né?!

Isso sim seria a defesa do cidadão!

Li a tristíssima postagem de site Exame da Ordem com o título “Você quer ser advogado para o que mesmo?” (imagens muito fortes, cuidado) e recordei-me do quanto eu precisei de forças para estudar pra essa absurda prova da OAB para poder, então, ter o aval de ajudar a criar o mundo que eu entendo como melhor. Foi muito difícil, mas imensamente gratificante.

Tenho muitos sonhos ainda a conquistar. E quero abraçar causas como se estivesse ganhando milhões por elas. É um perigo querer fazer diferença, né?! Mas minha mensagem para os que estão na mesma empreitada é, seja advogado. Cobre bem pelo serviço, mas não se venda. Não deixe de ser você.

“Essa é a verdadeira alegria da vida: ser útil a um objetivo que você reconhece como grande”. Bernard Shaw

O dia hoje

2 agosto, 2011

É o dia da minha formatura!

E tem algo de muito especial nesse “rito de passagem” porque, de fato, foram 10 anos de faculdade (incluindo aí o curso de Comunicação e a pós!). Faculdades muito diferentes e ricas, das quais levarei histórias que vão desde os 20 brigadeiros na casa da professora de redação até a noite rolando na grama da praça com os amigos.

Além disso, foram também inúmeros estágios! Meu currículo lembra uma página de classificados do jornal que vão desde modelo de mão à locutora da chegada do Papai Noel no shopping. Um tanto de experiências non-sense, desconexas que deixam saudades. Foram muitos dias de fórum, de fila, muitos ônibus, processos pesados, petições aos montes. Muitos papéis e tome alergia! Muita aflição com prova, com o relógio, com a monografia, com a oab, com a vida correndo mais que eu. Muito aperto de prazo, de trabalho, de chefe chamando, namorado ligando, amiga pedindo, família precisando.

Ando com mais olheiras que o normal, e só me dá vontade de agradecer!

No entanto, como estou meio sem palavras para taaanta alegria, vou copiar o bilhete do meu santinho.

Uma coisa eu digo: Valeu cada minuto!

Começar de novo. É preciso muita força para isso. Força que encontrei nas pessoas mais próximas. Meus amados pais, que são também meus grandes amigos. Meus amigos, que são também parte da minha família. Minha família, com meus exemplares avós, meus queridos tios e divertidíssimos primos! Nesse recomeço também aprendi muito com meus chefes, meus estágios, meus professores, a Fumec e a Logosofia. Também com meu país, com Vancouver e Buenos Aires! Rafa do meu coração, obrigada pelo carinho! Peter amigão, obrigada pela companhia! Olho para trás e vejo o quanto fizeram por mim. Sinto-me verdadeiramente formada agora. Olho para frente! E vejo o quanto posso fazer por vocês.

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O valor da causa

19 junho, 2011

Não esquecer o valor da causa. Este era o bilhete que eu tinha colado atrás da porta do banheiro e na frente da porta do meu quarto até uma hora atrás. Tinha! Não tenho mais. Arranquei tudo.

Este lembrete ficava em pontos estratégicos da minha casa porque eu estava fazendo a tão temida prova da OAB. Uma prova que, de fato, não me pareceu nada fácil. Não só porque o conteúdo é muito grande e exige uma certa decoreba além de maldade para as questões, mas porque a prova é muito cansativa e a correção bem incerta.

No entanto, hoje saiu o resultado do recurso (tive que fazer!). Passei! E que alegria!!!!

Durante o meu estudo para essas duas provas (primeira e segunda etapa), tive em mente o quanto seria importante para mim, para minha família e para minha carreira que essa conquista fosse alcançada. O “não esquecer o valor da causa” era mais que um bilhete para não esquecer um item importante da inicial, era uma recordação de que aquele esforço tinha valor. O quanto eu poderia fazer como advogada… Como eu poderia ser uma profissional diferente do que o mundo está acostumado… Como eu poderia defender o que realmente considero justo. Impossível esquecer o valor dessa causa.

E estudei muito! Posso garantir. Foi a fase mais apertada da minha vida. Cursinho+Trabalho+Curso de Direito de Noite+Monografia+estudo pra OAB. Não é fácil mesmo. Não mesmo. E eu consinto com todo mundo que passa por isso e começa a ter efeitos colaterais como dormir mal, passar mal no ponto de ônibus, emagrecer/engordar, desenvolver doenças de pele, ter queda de cabelo etc. Tudo! É apertado, é sofrido e chega a doer. Mas tudo vale a pena quando a alma não é pequena, não é mesmo, Pessoa?!

Hoje eu estava no carro quando minha grande amiga Babica ligou para dar a notícia! É indescritível de bom. É um sonho realizado.

Naquela hora eu estava indo para a casa da minha tia, encontrar com minha família que tanto torceu por mim. O que posso dizer é que aqueles passos que dei entre o carro e a casa da tia Denise… aqueles foram os passos mais felizes da minha vida.

foto que, para mim, define a felicidade

“A alegria do triunfo jamais poderia ser experimentada se não existisse a luta, que é a que determina a oportunidade de vencer”. da Logosofia

O 10º período é o mais apertado

15 junho, 2011

E por isso eu sumi!

O trabalho também não está nada fácil. Mas está bom.

Ser adulto é isso aí: acordar cedo, dormir tarde e suar muito! Me sinto uma atleta!

Volto já.

 

Ps. Tirei total na monografia!!!!

Mães

8 maio, 2011

Para mim, a maior prova de que existe tutela antecipada na justiça Divina.

O curso

25 fevereiro, 2011

Para a maioria das pessoas que prestam vestibular a melhor opção é o curso oferecido pela Universidade Federal ou Estadual. O motivo é simples: a gratuidade e a excelência de grande parte dos professores. Vou relatar a minha experiência.

Minha primeira opção não era o Curso de Direito e sim o curso de Publicidade. Eu o escolhi porque me achava criativa, boa em redação e gostava de televisão. Não foi uma escolha muito sensata, devo admitir. Não porque o curso seja ruim, mas porque nunca me atendeu em diversos aspectos, inclusive no econômico. Na época em que escolhi estudar PP rolou uma fofoca que a Universidade Federal aqui de Minas fecharia o seu curso na área. Um pouco desapontada, fiz a opção de tentar o vestibular para Geografia na UFMG e Publicidade nas demais. No desespero, achando que não passaria em nenhuma faculdade, cheguei a tentar Direito nas que não ofereciam Publicidade.

No dia da prova da federal, fui meio sem vontade. Passei para a segunda etapa, mas viajei e não cheguei a fazê-la. Se eu acho que passaria? Acho que não. Por imaturidade, e aqui garanto que foi muita, nunca estudei o suficiente para o vestibular. Embora temesse não passar, sabia que, pelo menos de excedente, alguma faculdade me chamaria. Ao invés de estudar com afinco, eu me debruçava sobre os livros depois de 5 minutos de leitura e lá dormia o quanto podia.

Foi errado. Garanto. Passei numa faculdade considerada boa para o curso de Publicidade. Lá fiz grandes amigos, consegui um bico ou outro na profissão, mas só. Parou por aí.

Precisei buscar um segundo curso e, a essa altura, eu já não me lembrava muito do meu ensino médio para tentar um vestibular da Federal.

Ingressei numa segunda universidade particular. De excelente nome no mercado, achei que lá seria feliz. Não fui. Tive grandes decepções com a didática dos professores, a falta de gentileza dos funcionários, inclusive da Diretora. Claro, conheci sim professores bons e colegas excelentes, mas não foi o suficiente. Mudei de faculdade. Sem mudar de curso. Desta vez, para uma sem tanto nome no que diz respeito ao Curso de Direito, mas que me fez enorme bem. Professores sensacionais. Colegas animados. Infraestrutura bem razoável. Eu estava feliz.

Meu curso foi bom, foi inesquecível. Estando no último período, já sinto a saudade apertar e o arrependimento de não ter aproveitado mais bater. O Direito abre muitas portas, faz a gente enxergar a vida com mais equilíbrio. Um grande diferencial é que passamos a não aceitar mais algumas condutas comuns do mundo. Ficamos mais exigentes. Foi o melhor curso que fiz.

Mas a frustração de nunca ter estudado numa Federal é algo que me acompanha. Eu cheguei a fazer uma pós na UFMG, só que isso não conta. Nunca me senti uma verdadeira caloura, nunca soube o que era ser aluna do nosso atual governador, nunca participei de uma vinhada. Perdi com isso. Ganhei com outras coisas.

Outro dia o MEC divulgou uma lista dos melhores Cursos de Direito. Na minha cidade, tive uma surpresa: o meu curso estava entre os dois melhores avaliados. Ao lado de, claro, a Universidade Federal.

É. Não sou um gênio.

23 janeiro, 2011

Quando eu era adolescente, adorava minha aula de música. Comecei estudando flauta e daí parti para o estudo de piano. Fiquei tão empolgada que comecei a estudar muito o tema. Tanto que consegui aprender algumas músicas num tempo um pouquinho mais ligeiro que o esperado pela professora.

Com isso, a professora e talvez mais uma outra professora, começaram a dizer que eu estava indo muito bem, que era uma boa aluna. Coisas que deveriam soar como um estímulo, mas na minha cabeça soaram como “uau, você é um gênio da música”. Eu comecei a suspeitar que a parte do meu sangue europeu trazia a herança de algum grande compositor alemão ou austríaco. Comecei a acreditar mais no meu potencial para ser uma grande pianista que no meu potencial para aprender a tocar um pouco melhor. Assim, o estudo da música, embora não tenha se extinguido, ficou diferente. Era um estudo envaidecido. Não era para ficar melhor, era para mostrar como eu era boa.

Então, nessa empolgação, entrei também pra aula de violão. Esta, foi um fracasso. Eu aprendi a tocar algumas músicas. Uma ou outra, mas nunca rendi muito. A professora nunca disse que eu estava indo bem. Pelo contrário, com a maior boa vontade do mundo, ela tentava me fazer enxergar que eu, verdadeiramente, tinha que estudar.

Fiquei frustrada. E pensei que talvez a minha genialidade não estivesse mais na música, mas na escrita, outra coisa que me agradava. Saí da escola de música (que até hoje guardo saudades imensas), fui pra faculdade de Publicidade. Lá pensei ter me encontrado. Prova de Português, total. Prova de Redação, total. Prova de Projeto Gráfico, média. Ah, mas eu já estava satisfeita em ser genial na redação.

Foi quando comecei a estagiar e levei vários puxões de orelha com meus textos. Mais tarde, trabalhando como redatora numa agência, outros puxões de orelha, dessa vez, mais doídos. Como o  salário já não era bom nada (isso quando tinha), comecei a estudar pra concurso e aí veio a vontade de conhecer mais o Direito.

Como gostei do tema, cogitei: “vai ver que sou um gênio do Direito!”. Deste pedestal não foi difícil cair. As primeiras provas e os primeiros dias de estágio na área me mostraram que eu também não tinha nascido pra coisa. Mas e aí? Eu iria desistir de tudo e procurar até encontrar aquilo em que fosse realmente perfeita. E se não fosse em nada?? Ah, mas a vaidade da gente custa pra aceitar que podemos não ser muito bons em nada e que é bem possível que tenhamos que nos esforçar se quisermos fazer algo direito.

Como continuava achando direito legal, continuei seguindo. E lutei um pouco mais. Agora estou matriculada no último período! Doida para formar e estudar mais, coisas mais específicas, porque acho que ainda posso fazer muito. Trabalhar em coisas para as quais eu não nasci. Tudo bem, faço com gosto!

O meu piano continua ali na sala, me chamando para tocar todas as 5 músicas que sei e adoro!

Outro dia, encontrei uma ex-colega da aula de música. Ela havia começado depois de mim, e foi, aos poucos, conquistando seu espaço. Contou-me que tinha se tornado pianista profissional, que já tinha morado na Europa e se apresentado em diversos festivais. Da minha parte, contei que sou estagiária até hoje, mas que estou aprendendo muito com isso e um dia, se ela precisar, poderei defendê-la num tribunal.

Viva a democracia!

1 janeiro, 2011

 

E um rap muito maduro para os novos governantes! – dica da amiga Silvinha!

A nossa função social

31 dezembro, 2010

Função Social! Este é um dos conceitos que mais me atraem no universo do Direito. Embora visto de forma diversa pela doutrina, o que entendo aqui é que o princípio estabelece que a propriedade deve ser usada para aquilo a que se destina, preferencialmente para o bem comum da sociedade.

Dessa forma, trazendo o exemplo para o nosso mundo, se temos uma roupa e ela nunca é usada, melhor seria passá-la adiante ou usar o seu tecido para algo útil. Deixá-la inerte caracterizaria uma afronta a este princípio tão bem bolado e não faria bem nem ao próprio dono, a não ser que fosse um colecionador.

E é desse jeito, que, se formos pensar,  as pessoas deveriam se enxergar também. Se somos seres racionais, sensíveis e criativos, por que nem sempre usamos estes presentes?

Há mais ou menos três semanas, meu pai me mostrou uma música que eu já conhecia, mas desta vez, com explicações que eu não conhecia. Era sobre a abertura da ópera Tanhauser (nome alemão difícil). O mundo pop, embora bastante divertido, conseguiu criar uma aversão às coisas eruditas que eu não entendo muito. A abertura dessa ópera é algo próximo do divino e acho difícil não gostar dela (apesar de ser possível).

Mas o que tem a ver a ópera com o princípio da função social?

A questão é que se a gente só ouvir a música (sem se ligar muito ao enredo) pode criar a nossa própria interpretação. Ou aproveitar a interpretação de outros que já indicaram estar aí simbolicamente a luta de cada indivíduo pelo seu livre arbítrio e sua própria evolução. Ser dono de si mesmo. Eis a questão, Mister Shakespeare!

Acho isso tão lindo, que separei esta mensagem para deixar de final de ano.

Final de um ano tão peculiar como este. Com tantas chuvas, terremotos, desastres… Tanta torcida pelo Brasil nos campos da África do Sul, nos campos de Brasília e nos campos do Alemão. Perdemos algumas, ganhamos outras. Como sempre acontece. Um ano em que corri contra o tempo, na reta final da faculdade, na preocupação com a vida profissional e tudo mais que a gente tem que se preocupar. Também viajei, reencontrei amigos, fiz novos, conheci uma nova família. Sofri com a perda de pessoas queridas, comemorei a chegada de novas.

A vida é assim, né?!

Ela chega, vai, surpreende, entristece e alegra. E a gente no meio, cumprindo com a nossa função social de sermos pessoas um pouquinho mais úteis para o mundo.

Entende este conceito? Função social como algo que foge do letargo, da inércia, da paradeza. Isso não está nos livros.

Amanhã, quando o sol despontar seja onde for, teremos mais um botão de start pressionado. Mais uma chance de fazer, retomar, resistir e realizar.  Será mais uma  oportunidade de nos apaixonarmos pelo trabalho, pelos amigos, pela nossa cidade, nosso parceiro e por nós mesmos, principalmente.

Que a função social da nossa vida seja o princípio condutor deste novo ano.

Não, isto não está nos livros. O que eu quero dizer é que desejo a todos muitas, mas muitas, muitas felicidades!

There is always hope:  de Banksy

 

“Justo a mim coube ser eu” – Mafalda


Quando a gente gosta de um professor

6 dezembro, 2010

O curso de Direito é imensamente interessante pelo número de professores apaixonados com o ensino. De certa forma, todos acabam nos cativando. Alguns mais, outros menos, mas a maioria mais!

Eu, ex-professora que sou, admiro do fundo do coração do trabalho hercúleo que esses seres fazem em sala de aula. E não me arrependo de não matar aula e de anotar tudo que falam.

Hoje chegamos mais cedo na faculdade. Dia de prova de Direito Administrativo, entrega de trabalho de Direito Administrativo e resenha de um texto escrito pela professora. É impressionante como em dia de prova, a imagem do professor fica circundando a nossa mente. Comentamos várias vezes o quanto ela é dedicada, atenciosa e boa de serviço. Fizemos a resenha e ainda colocamos, sem medo de parecer infantil “texto da querida professora de Administrativo”.

Estávamos na biblioteca quando a notícia chegou. A professora havia se acidentado. Prova cancelada. E isso, ao contrário do que a malandragem possa dizer, foi uma notícia que nos comoveu profundamente.

Tudo que sabemos é que ela passa por uma cirurgia e que se acidentou voltando de Ouro Preto, outro lugar em que trabalha.

Estamos de plantão, torcendo e enviando todos os melhores pensamentos que podemos para que ela se recupere. Se este blog se prestasse a algo mais que mera divulgação do que eu acho de Direito, pediria que servisse para mobilizar pessoas, hoje, mais precisamente, para que todas enviem suas forças para minha professora. O nome dela é Maria Tereza Fonseca Dias, uma pessoa tão pequenininha, mas tão brilhante… uma professora muito querida!

Atualização de 08/12/2010: Alguns alunos entraram em contato comigo e disseram que a professora precisa de doadores de sangue. Liguei para o Hospital João XXIII e informaram que todas as doações são coletadas pelo Hemominas que hoje funcionou até as 18h e estava vazio. Os telefones de lá são (31) 3248-4514 ou 4500. Se você estiver com a saúde em dia e  um pouco mais de 50 Kg (abafa o caso), sugiro que faça uma visita, mesmo que não conheça a professora, pode doar em nome dela. Ou, se preferir, apenas doar, pois nunca é desperdiçado.

Atualização de 16/12/2010: a professora está bem melhor. Agora necessita de doações de sangue para o banco do Hospital LifeCenter de Belo Horizonte. As doações devem ser agendadas pelo telefone (31) 3218-1300. O horário de atendimento é de segunda à sexta, das 07:30 às 16:40 e sábados de 07:30 às 13:10.

Atualização de 25/12/2010: No início da semana visitamos a professora no hospital e ela já está bem melhor. Disse que nem sentiu dor na hora do acidente e que está se recuperando bem. Ela não reclama de nada e nos deu uma aula de adaptação com esse exemplo. Isso que é mestre!

É guerra.

25 novembro, 2010

Já se perguntou se os jornalistas que fazem aquelas reportagens sobre crianças morrendo de fome não deveriam dar um biscoito pros meninos ao invés de bater foto? Nunca fez muito sentido que o jornalista só chorasse a desgraça sem tentar diminuí-la. Pega a criança. Abraça ela. Dá algum alento. Não é possível que a comoção fique só numa fotografia premiada. Quero acreditar que não ficou.

O mesmo eu sinto agora com o Rio de Janeiro. A polícia sucateada ou não está lá fazendo o possível.  E os jornalistas, do alto de seus helicópteros, pegam cenas incríveis de fugas, incêndios e vai tudo pra redação, cheio de furos (no bom sentido), pra apresentar pro chefe. Existe alguma prioridade de divulgação dessas informações pros responsáveis pela segurança antes de mostrar pro público? Porque se o público sabe que a polícia sabe, o crime sabe que a polícia sabe e dá um passo a frente. Sabe como?

Pô, galera, ajuda! É guerra. Parece que vai ficar todo mundo só assistindo. Sério que eu não acho que o maior poder da Globo é a informação. O Barcelos é bom nisso, alguns lá são bons nisso. Mas a pra mim, agora, o maior poder deles é o dinheiro e a capacidade de mobilização. Então que usem pra ajudar. Mas ajudar mesmo. Fala com eles, Caco.

Mais:

Foto da criança retirada daqui sobre o fenômeno da fome no mundo por mero interesse de quem tem a barriga cheia.

A imagem do youtube aparece se você procura por “Rio de Janeiro”

“dar alento a quem dele necessita é dever moral do homem.” da Logosofia

Um homem de juízo

15 novembro, 2010

Ontem de madrugada faleceu o Dr. Sérgio Braga. Ele era desembargador aposentado e um dos principais responsáveis pelo surgimento do Cine TJMG.

Mas o que conheço dele por seu trabalho no Tribunal é bom, embora pouco em relação ao que conheço dele como um homem de família, pai de uma amiga de infância.

Sérgio Braga era brincalhão. Principalmente isso: brincalhão. Embora sério. Sabe como? Ele era sério no seu trabalho de julgar, sério também no trabalho com os filmes e nos livros que escrevia. Mas era brincalhão. Pregava peça em todo mundo. Tratava os mais novos como filhos.

Ele parava o carro na estrada para dar carona a desconhecidos (algo sempre arriscado), colecionava rolhas de vinhos, deixava o cachorro subir na cama, editava filmes de suas viagens, escrevia sem parar e escrevia bem.

Foi um homem cheio de amigos e lições. Pequeno de altura e grande de apetite, e também de estatura moral!

Tinha uma esposa-braço-direito. Eram amigos, colegas e companheiros inseparáveis. Todo mundo admirava. Alguns invejavam.

Ontem o velório estava lotado. Acho que a pacata cidade de Rio Preto nunca viu tanto movimento. Os carros desfilavam placas de todos os cantos. Todo mundo tinha mil casos sobre ele. Mil lembranças boas.

Algumas coincidiam, como sua mania de inventar histórias, de rir dos problemas e de despedir mandando ter juízo.

No caixão, não queria crucifixo. Não curtia isso. No lugar, colocaram uma coroa de flores. E nela, os típicos dizeres deste homem direito que deixa saudades: “Juízo, hein?!” .


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