Archive for dezembro \31\-03:00 2011

Dê uma chance

31 dezembro, 2011

Reza a lenda que, para o cachorro, cada dia que passa, equivale a sete dias na vida humana. História antiga essa e comprovada apenas com pequenos cálculos e regras de três entre a nossa vida e a do quadrúpede.

2011 foi um ano de cão: valeu por sete. Para mim, foi um ano extremamente múltiplo por motivos pessoais, profissionais, mundiais e metafísicos. O Japão dos meus amigos sacudiu, o oriente médio de outros virou a mesa, a Europa se manteve segurando as pontas enquanto pode, no Brasil os professores pediram socorro, Neymar e Anderson  engordaram os bolsos. Pessoas fizeram coisas que nunca tinham feito antes! Muitas amigas se casaram, outras deram a luz e eu joguei um bolinho de queijo pela janela do restaurante. O mundo que era dos nuncas, mudou para sempre. Na minha pequena caminhada, deixei de ser estagiária. Formei. Passei na OAB.  Assisti a Filarmônica de Berlim! Mandei flores para as avós na primavera. Rolei na grama da praça de madrugada. Apanhei, mas apanhei com força da vida de adulta. Fiquei sem dormir, tive pesadêlos, espamos musculares, falta e excesso de apetite.

Na minha lista de nuncas veio mais uma surpresa. Levei um susto com a repercussão do último texto. Foram 740 compartilhamentos e contando! Adorei os comentários e e-mails recebidos. Impressões e expressões trocadas, o que eu vejo é que a maldade já se promove demais. A gente não precisa dar mais publicidade a ela. Tem alguém aí que não sabe que o horror existe? O mundo anda tão tendente à morbidez… as pessoas preferem se reunir em torno de uma briga na calçada a assistir palestras gratuitas do outro lado da rua. Fora que a mão que compartilha a foto do bichinho machucado é a mesma que curte o rodeio de Barretos, né. Não vamos forçar a amizade.

No mundo dos sempre já há tanto jeito de estimular as boas ações que não com o velho discurso da tragédia de entretenimento. Olha as intervenções urbanas! As campanhas publicitárias pela tolerância, as pequenas ações do cotidiano como levar ração na bolsa e ajudar catadores de latinha (sim, faço isso). São tantas músicas, vídeos, textos, palestras, livros, crianças para educar… Tem tanta ONG precisando desses revolucionários de facebook… Não é difícil descobrir alternativas criativas.

Violência gera violência. John Lennon costumava pedir uma chance para a paz. Era tudo que ele dizia, ele dizia! Não custa muito. Vamos tentar! Enquanto isso, as denúncias tem sim seu lugar, cabimento e forma. Na imprensa e internet, devem ser informativas muito mais que apelativas como tenho visto. Além disso, e principalmente, devem ser explícitas e detalhanas no judiciário e também no legislativo e no executivo. A gente tem que ser mais ativo com essa galera. Damos muita moleza para todos eles.

Mas eu confio que cada um esteja fazendo o máximo que consegue. Eu estou.

Ia dizendo que neste ano penei demais com essa brincadeira de ser gente grande. 2011 foi um ano múltiplo. Estou me repetindo. E foi mesmo. Um para sete. Um para oito… nove. Meu ano valeu por dez.

Hoje, quando chegou um e-mail do cliente agradecendo pela dedicação, tive ímpetos de dançar. Trabalhar muito é ainda o jeito que temos de conquistar uma vida digna. Outras opções não fazem parte da minha realidade. Somos 7 bilhões no mundo. A concorrência está aí. Tudo tem que ser muito suado nesse país que eu estou existindo. E posso garantir assim que, embora eu tenha o sono eternamente atrasado, mantenho meus sonhos em dia.

Meu cliente me agradeceu. Meu chefe ficou feliz. Meu cachorro me recebeu pulando. E um gato comeu o bolinho de queijo que achou na rua. As coisas estão caminhando e eu não posso reclamar.

“Missão cumprida” – ela disse. Amanhã começa de novo. Dê uma chance para a paz. Is all we are saying!

Feliz 2012.

Mais:

Projeto Focinhos

Leis Brasileiras de Proteção aos Animais

Vote na Web

Museu da Corrupção

Excelências

Somente boas notícias: por um mundo mais feliz

365 nuncas (um dos meus blogs preferidos! Sentirei saudades!)

Ps. A imagem que ilustra esse texto é uma produção do grande Marcel Marlier, um senhor belga que ilustrou todos os livros da coleção infantil das aventuras da pequena Martine (traduzida para “Anita” em Português). Ele faleceu no início deste ano e quase ninguém ficou sabendo. Os jornais estavam ocupados demais com outras notícias…

A ilusão de consertar o mundo com imagens chocantes

18 dezembro, 2011

Me diz uma coisa, o que você faz quando fica sabendo de uma notícia chocante, quando assiste um filme com a verdade “ crua”, quando vê imagem de alguém batendo em criança, velhinho, gato ou cachorro?

O que você faz? Você corre para a polícia, para os jornais, para a justiça? Você monta uma ONG, se inscreve em trabalhos voluntários, decide se vingar sozinho? Você estuda o assunto, traço um plano e ajuda todo mundo?

Quais são as atitudes diante de algo chocante?

Desde algum tempo venho reparando que cenas chocantes fazem muito mais mal do que bem para qualquer cabeça. Uma coisa é você encontrar um cachorro todo machucado na rua e estar há dois quarteirões de um veterinário. A outra é você estar no seu facebook vendo notícias sobre viagens dos seus colegas e se deparar com cenas completamente irracionais de maldade alheia, sobre as quais não temos a menor possibilidade de interagir para ajudar, interromper ou punir.

Acho ainda mais preocupante é ver que colegas meus, que formaram comigo em Direito, estejam divulgando imagens de uma tal que bateu num cachorro e mandando assinar uma petição para mandar a mulher pra cadeia

Eu não assisti Faustão nem Gugu hoje, mas não duvido nada que ela já tenha passado por lá chorando e pedindo desculpas para o auditório nervoso.

Lamento dizer que dificilmente esta senhora irá para a cadeia. Não na atual legislação. Existe pena para maus tratos contra animais (Lei 9605/98), e devem ser denunciados sim, mas é rara uma condenação. Nem gosto de falar sobre isso, pois acho ridículo. No meu mundo perfeito qualquer um que machucasse animais e/ou seres humanos sofreria sérias consequências (sim, deveríamos ser vegetarianos nesta lógica). No nosso mundo imperfeito, ainda são poucos a pagar por isso. Vide o caso do João Hélio, que obviamente é ainda mais grave que o caso do cachorrinho.

Desde quando petição na internet leva alguém pra cadeia?

As petições podem servir para mobilizão para interromper manifestações estranhas, talvez até algumas obras, mas elas não servem como base para a condenação penal  de ninguém.

Aí, o que acontece quando os amigos colocam fotos chocantes na internet? As pessoas ficam chocadas. E pessoas chocadas, ao contrário do que se espera, ficam inertes, catatônicas, bobas e perdem boas noites de sono que poderiam ser úteis para os dias de trabalho. Ou seja, não ajuda porcaria nenhuma.

Então, numa boa, tirem essa coisa de mau-gosto do meu mural. Sabemos que o mundo não é cor-de-rosa, que existe maldade demais e impunidade demais. É triste. Não é necessário avisar como se fosse novidade e como se uma postagem no facebook fosse resolver a crueldade humana.

Ajudemos de outras formas. Vamos adotar animais, oferecer ração para ongs, divulgar ações, denunciar nos lugares certos. Vamos parar de fingir um ativismo de redes sociais enquanto você pega a wi-fi do shopping.

Quando minha professora se acidentou, enquanto todo mundo ficava pedindo a Deus para ajudá-la no facebook, fomos na chuva doar sangue no hospital. É uma questão de ação com menos nhenhenhê. Deus nos deu cérebro, pernas e pés. Façamos algo mais inteligente com eles.

“dar alento a quem dele necessita é dever moral do homem”. da Logosofia

Mais:

Denunciar abuso contra animais

Pela defesa dos pitt bulls

Adotar é tudo de bom

Adota cão – também para gatinhos!

Animais Resgatados

“Se todo animal inspira ternura, o que houve, então, com os homens?” Guimarães Rosa

O som da justiça gratuita!

17 dezembro, 2011

Dica dos meus colegas de trabalho Eduardo Oliveira e Luis Bambirra!

“Parceria é litisconsórcio”!

Fim de ano e eleição de novo síndico

14 dezembro, 2011

Se tem duas coisas que eu não perco por nada é o macarrão dos meus avós e a reunião de condomínio aqui do prédio.

Desde que nos mudamos, eu não perdi nenhuma reunião importante, só as menorzinhas mesmo.

No início, as reuniões me atraíam com vinhos e queijos que os vizinhos amavelmente traziam. Hoje não tem mais essas gracinhas, mas continua sendo importante.

Acho meio estranho fugir dessa responsabilidade. É sua casa, pô!

Mas uma coisa é participar da reunião, oferecer para redigir a ata… a outra é ser eleita síndica!

Estou ainda em conflito com minhas emoções. Não entendo nada da questão e agora sou a nova síndica.

O que um síndico precisa saber? O que eu sei de engenharia, infiltração, conserto de portão, pintura de garagem?

Minha única sugestão para o condomínio seria incrementar mais o mural e liberar geral para os cachorros, fora isso, sou uma reles moradora. Era. Agora sou a Senhora Síndica e vamos estudar o assunto. Convoco todos os leitores a me ajudarem, antes que eu seja destituída (por 1/2 + 1 dos condôminos como indica a nova lei).

E você, que está aí escondendo atrás do seu vizinho nas reuniões, saia dessa, candidate-se para fazer diferença no seu prédio. A gente aprende junto!

“just the girl next door!”

Vamos decorar?

11 dezembro, 2011

Ah, como esse mundo gosta de testar a nossa memória para coisas que facilmente encontraríamos no google, certo?!

Até hoje nunca encontrei em provas perguntas como “o que você mudaria na justiça para torná-la mais célere?”. Não. Ao invés de soluções inteligentes para problemas prementes, a sociedade encontra prazer em nos manter acordados a noite inteira sobre um livro para decorar coisas que, a princípio, não se ligam com nenhuma forma razoável de tornar a vida mais feliz.

Estudar não teria que ser para melhorar a vida?

Ontem, enquanto eu almoçava com meu querido colega de trabalho, companheiro de almoço e serestas na praça, Rafael Penido, ouvi relatos que me interessaram profundamente! Ele me contou sobre seu professor (infelizmente esqueci o nome) que mastiga a parte chata do direito para os alunos e passa ótimas dicas para decorar coisas de forma eficiente, sem a necessidade de encher seu corpo de cafeína para aguentar mais duas horas sobre um livro. Adorei esse cara!

Repassarei algumas das dicas para o blog e espero, com isso, tornar a vida de alguém um pouquinho menos massante. Segundo o Rafa são infalíveis! (Rafa, me passa o nome do professor para a gente colocar os créditos).

Dicas para decorar o número de ministros nos diversos tribunais superiores.

STF  –  Somos um Time de Futebol  –  (11)

STJ – Somos todos de Jesus – (33) – Jesus morreu com 33 anos

TST – Trinta sem três – (27)

TSE – Todos Sete – (7)

STM –  Somos Trinta  pela Metade (15)

Mais dicas para decoreba, gentileza colocar nos comentários ou enviar e-mail para direitoelegal@gmail.com (informo a fonte).

Atualização: Rafa contou que o dono das idéias se chama Adail Ribeiro Motta. Obrigada, prof. Adail!

Feliz dia da justiça

8 dezembro, 2011

Pra você que também acha que ela não merecia ter esse nome… que não está merecendo letra maiúscula…

Feliz dia da justiça pra você que já viu que o glamour da profissão de advogado não se estende aos advogados. Pra você que lê no manualzinho da OAB que nós temos a mesma hierarquia que o juiz, mas que não é recebido para despachar. Para você que está com um processo concluso com urgência desde maio! Pra você que não pode acreditar no siscom dos sites dos tribunais, que não consegue informação por telefone e nem resposta do correspondente.

Feliz dia da justiça pra você que sabe que os estagiários é que estão lendo a sua petição começando pelos pedidos. Para você que nunca viu um ED ser provido, e seu erro sanável ser sanado.

Feliz dia da justiça para você que também trabalhou hoje. Que tem as olheiras da cor da noite e ainda espera fazer desse universo uma coisa mais justa.

Feliz dia para você!

 

Emancipate yourselves from mental slavery.” Bob Marley

Seu escritório é legal?

1 dezembro, 2011

Assim como Martin Luther King, eu também tenho um sonho. Um para contar agora e outros tantos para compartilhar depois.

O sonho do momento é ainda distante, mas está martelando na minha cabeça: tenho o sonho de criar um escritório para mim. Mas eu queria um escritório de direito realmente legal.

O seu é legal? Deve ser legal pelas pessoas, pelos clientes, pelo salário talvez… mas ele passa essa sensação de primeira?

Para começar, a OAB fez o favor de não deixar nenhum advogado colocar nome legal no escritório… É tudo Fulano & Siclano… Preguiça… Nesse ponto, morro de saudade da publicidade com escritórios coloridos, almofadas divertidas, bonequinhos nas mesas, bilhetinhos nos banheiros, nas portas, nos cartões de visita…

Eu não entendo muito bem a relação de por que o escritório de direito tem que ser todo padrão para passar a idéia de sobriedade para o cliente e o escritório de publicidade tem que ser todo doidão para passar a idéia de criatividade para o cliente.

E se a gente unisse o útil ao agradável? O cliente fugiria? O juiz nos condenaria por isso?

Nos dois casos, os dois profissionais mexem com fatos e relações muito delicadas de seus clientes. Os dois trabalham com comunicação, idéias, fatos e persuasão.  Os dois devem ser sérios no que fazem. Mas podem se divertir trabalhando, não?!

Então o meu sonho é ter um escritório feliz! Que funcionasse 24h porque tempo é dinheiro, tempo é prazo, tempo é vida e eu rendo muito mais de noite (sem risadinhas, por favor)! Queria tudo diferente, com petições diferentes, mas ricas em detalhes, informações e cuidado na diagramação.

Aí,  olha o meu plano:Ter um escritório com puffs, mas ao mesmo tempo poltronas e tudo para todo mundo ficar confortável. Nada de couro. Nada de quadros abstratos, quero cenas de filmes como de Pursuit of Happines que é um estímulo para qualquer trabalhador (ou Jerry Maguire, ou Erin Brockovich). É bom também ter mais janelas abertas que ar condicionado! E quero um liquidificador para a vitamina da tarde. Além de uma cadeira massageadora para o funcionário do mês. Vou colocar relógios com horários do mundo inteiro nas paredes. E muitos globos (amo!). Muitos mapas! Frases em latim no banheiro! Muitos murais de lembretes, canetas e post its coloridos. A área adminsitrativa do meu escritório vai ter que ser grande porque eu sei que esse lado na vida do advogado é fundamental!

E a galerinha tem que ser animada. Tem que gostar de cantar. Gostar de rir dos próprios problemas e tem que ter muuuuito jogo de cintura. Aliás, esse seria o nome do meu escritório se a OBA deixasse: Jogo de Cintura. Acho que é a principal habilidade que o advogado tem que ter para lidar com juiz, escrivão, servidor, delegado, promotor, aspron, projudi, os sites malucos e despadronizados dos tribunais, os horários de pico, os e-mails travando, a greve dos correios, o sistema fora do ar… Jogo de cintura é tudo!

Tão bom sonhar…

Me diz, tenho alguma chance de conseguir clientes?

Mais:

Revista Americana traz os escritórios mais legais do mundo

Como os escritórios de advocacia devem fazer marketing

“Sorte é isto. Merecer e ter.”

Guimarães Rosa