Archive for novembro \19\-03:00 2009

Direito dos animais

19 novembro, 2009

Sinto dó e aflição quando deixam uma criança maltratar um animal, uma formiga que seja. É incalculável o número de vezes que assisti a isso e ouvi dos pais o argumento de que “são apenas crianças”. Não, né. Crueldade não tem idade. E quanto mais cedo for corrigida (sim, ela tem correção), melhor para a pessoa e para os coitados dos animais.

Hoje, após oito anos de trabalho como cão-terapeuta, morreu o simpático Baxter, um grandalhão mistura de Chow Chow com Golden Retriever. Durante boa parte da vida, ele dedicou sua paciência para confortar pessoas enfermas em hospitais. Hoje, aos 19 anos, ele se foi. Mas deixou lições, como todos os animais costumam deixar, de amor à vida, à natureza e grandes lições de respeito (sim, respeito).

E mesmo com esse discurso (que aposto que já é conhecido de todos) ainda comemos carne, usamos couro, lavamos a cabeça com xampu de tutano de boi, etc (e põe etc nisso). A gente ainda vive uma certa hipocrisia e se desculpa dizendo que não tem jeito (pior que eu me incluo). Até tentamos diminuir ao máximo, mas ainda, ainda… estamos nessa.

Por isso, fiquei animada com a notícia vinda do Planeta Sustentável sobre o prêmio dado ao documentário sobre Direito dos Animais. Provavelmente um documentário forte, mas muito humano (no bom sentido) e importante para a consideração dos animais.

Em 1978 o Brasil assinou a declaração dos direitos dos animais pela UNESCO. Vale a pena conferir seus direitos e lutar para que sejam cumpridos.

Entre eles, destaco:

Art.3o – Nenhum animal será submetido a maus-tratos e atos cruéis. Se a morte de um animal é necessária, deve ser instantânea, sem dor nem angústia.

Art.8o – A experimentação animal que implique sofrimento físico é incompatível com os direitos dos animais, quer seja uma experiência médica, científica, comercial ou qualquer outra. As técnicas substitutivas devem ser utilizadas e desenvolvidas.

Art.13o – O animal morto deve ser tratado com respeito. As cenas de violência em que os animais são vítimas devem ser proibidas no cinema e na televisão, a menos que tenham como foco mostrar um atentado aos direitos dos animais.

E lembre-se que crueldade contra animais é contravenção penal. Se eles estão aí para nos ajudar e nós a eles, sejamos amigos.

Mais:

Um bom apanhado da legislação a respeito

Mais leis de proteção e manutenção do animal

Blog Moment with Baxter

Planeta Sustentável

Uol Bichos

Adote um amigo (de graça, limpinho e vacinado)

Vira-lata é dez

Vídeo para você adotar mesmo!

A Bia tem um blog de Proteção Animal. Visite.

Proibido transar sobre a linha férrea

17 novembro, 2009

Me desculpem os odiadores de twitter, mas hoje ele me rendeu duas pautas para o DeL.

A última foi esta que tem tanto humor quanto direito Penal.  Vale ler a matéria de Daniel Bergamasco.

“Entre o canto de pássaros, muito verde e ninguém mais por perto, uma placa fincada ao lado dos trilhos da ferrovia de Engenheiro Evangelista de Souza, no extremo sul da cidade de São Paulo, anuncia: “É proibido transar sobre a linha férrea. Logo abaixo, outro aviso. A “pena” é de “reclusão de dois a cinco anos e multa”, conforme o artigo 260 do Código Penal.

O aviso está errado, segundo a Secretaria Municipal de Verde e Meio Ambiente e a concessionária ALL, que têm logotipos na placa. Segundo elas, foi efeito de vandalismo.

A secretaria explica: o autor da gracinha descolou as quatro últimas letras (adesivadas) da palavra “transitar” e colou de volta as duas últimas, chegando a “transar”. De fato, as letras “a” e “r” estão desalinhadas na comparação com as restantes. As secretaria já pediu alterações à concessionária.

O “vândalo”, porém, tem sua razão ao avisar que sexo nos trilhos não está liberado. O artigo 233 do Código Penal proíbe “ato obsceno em lugar público” e prevê “detenção de três meses a um ano, ou multa”. Já o 260 prevê prisão ou multa a quem “impedir ou perturbar serviço de estrada de ferro”.

fonte:

http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u653446.shtml

Ps. havia uma foto da placa aqui ao lado. Imagino que foi considerada inconveniente…

Blogs na mira da justiça

17 novembro, 2009

No twitter do @Inagaki estava a informação “Juiz proíbe blogueiros de emitirem opiniões sobre José Riva, presidente da Assembleia de MT: http://migre.me/bMr9″

Sendo livre a manifestação de ideias, mas vedado o anonimato, segundo o art. 5º, inciso IV da nossa constituição. é possível compreender que alguns blogueiros tenham a língua cortada. Mas blogueiros renomados… hum… eu teria que ter visto o post original e acusatório…

Seria tão ruim assim? Veja a matéria.

Veja mais:

a liberdade de expressão e a comunicação na internet

justiça condena jovem acusado de racismo no orkut

um dos blogueiros explica no Observatório da Imprensa

Liberdade, ainda que tardia

12 novembro, 2009

Minas tem um herói querido chamado de Tiradentes. Ele possui uma estátua triste com a corda no pescoço no centro da bela Ouro Preto, deu nome para uma cidade encantadora e responsável por eventos incríveis como o Festival de Cinema e o Festival de Gastronomia.

Hoje é o dia que este herói completaria 263 anos. E uma cartinha para o jornal Estado de Minas me chamou atenção, nela o Presidente do Instituto Histórico e Geográfico de São João Del Rei, Sr. José Antônio Sacramento, explica um pouco sobre a conjuração mineira, sendo um movimento de revolta contra  a cobrança da quinta parte da produção aurífera, e aproveita a data para convidar a uma reflexão que deixo aqui para o leitor:

“se fosse vivo, o que faria Tiradentes atualmente, posto que ele e seu grupo se revoltaram contra a cobrança de um quinto de impostos (20%), mas, segundo analistas econômicos, no Brasil de hoje, a carga tributária já esbarra nos 38%?”

Leia mais:

Joaquim José da Silva Xavier (wikipédia)

Lutador pela independência do Brasil

Visite a cidade de Tiradentes

Conheça Ouro Preto

O muro de Berlim e a garota rosa-choque

9 novembro, 2009

Hoje se comemora vinte anos da queda do muro de Berlim. É a comemoração do fim de uma das maiores cretinices humanas e, quem viveu (e eu vivi) lembra-se muito bem de como foi bonito ver as famílias se reunindo, os irmãos se abraçando, os estranhos emocionados, arrancando as lascas daquela cerca gigante que os separava.

Hoje são vinte anos de queda disso, de algo tão simbólico quanto feio, que é o fanatismo por uma ideologia recheada de preconceitos, intolerâncias e maldade.

Muito embora estejamos no ano que outra ideologia manda chamar de 2009, o preconceito, que deveria estar sepultado, ainda corre solto pelo mundo. E veio gritar sua existência, como todos sabem, aqui no Brasil. Ali em São Paulo.

A menina que usava pouco pano, ironicamente, deu pano pra manga nas últimas semanas com a fenomenal história de sua chegada na faculdade. E, o mais fenomenal, ontem foi expulsa da instituição, com direito à nota nos jornais do Brasil e até reportagem no NY Times.

Uma aberração do preconceito, do machismo e da ausência de devido processo legal virando reportagem pro mundo inteiro, enquanto aplaude a queda de um muro, vaiar a ascensão de outro bloqueio: o mental.

Só quem pensa muito, mas muito, mas muito pequeno mesmo pode achar que usar um vestido curto é mais grave que se valer de uma massa para ofender moralmente alguém que não mexeu com você. Ou mexeu?

E daí se a garota queria aparecer? Quando se publica uma nota no jornal, não seria para aparecer? Quando se constrói uma faculdade e divulga-se seu funcionamento, não é para aparecer? Eu, que tenho este blog, não estaria querendo aparecer também? E desde quando isso deve ser punido?

Na minha faculdade, que adoro, o desfile de moda é enorme e muito diverso. Não há problema. Nunca foi imposto uniforme e cada um se veste de acordo com o que tem no armário, o que tem no corpo e o que tem na cabeça.

Penso que, se a faculdade não tolera algum tipo de roupa, que não deixe a pessoa entrar no recinto com ela, que barre na porta. Aliás, como fazia o STF antigamente com mulheres que usavam calças. É para rir! “Mulheres que usavam calças”… Olha como somos machistas!

Contudo, se o centro acadêmico (que deveria ser palco de lindas idéias) optou por deixar entrar a pessoa no seu recinto, não deveria nunca criticar depois sua postura, indicando que ela estava “aumentando sua exposição”. Ora! Quem já estudou sobre  responsabilidade objetiva sabe que, neste caso, a faculdade  deve arcar com as conseqüências de aceitar não só uma garota de pink (já que não lhe impõe uniforme, não encontrei lugar algum falando disso), mas também uma infinidade de acéfalos, que se misturam no vasto mundo anônimo das multidões para humilhar, denegrir e diminuir quem é diferente.

Ah, sinceramente. Isso é o cúmulo. É pensar pequeno e voltar às trevas. Francamente! Viva a diferença. Um viva para quem estava lá e não engrossou o coro do preconceito, do machismo de homens e mulheres, da inveja e da ignorância. Espero que tenham sido muitos. Tenho certeza que pessoas assim é que, há vinte anos, ajudavam a tombar aquele muro horrível da Alemanha.

 

“I don’t need no arms around me and I dont need no drugs to calm me.
I have seen the writing on the wall. Don’t think I need anything at all.
No! Don’t think I’ll need anything at all.
All in all it was all just bricks in the wall.
All in all you were all just bricks in the wall.” Pink (!) Floyd

Leia também “Geisy, a Geny unibanida”, um texto de Rosana Hermann, indicado pela minha linda amiga Luiza Voll.