Archive for agosto \28\-03:00 2012

Mudança de país, blog continua, recomendo texto

28 agosto, 2012

Esta foi minha última terça-feira de Brasil para o próximo semestre. Passarei o resto do ano e inicinho do outro na França a partir de quinta-feira. Longa história… E estou animada! Mas o blog vai continuar!

Só estou explicando porque as atualizações no facebook estão muito mais tranquilas que as atualizações aqui.

Enquanto isso, recebi de um escritório companheiro (que não me patrocina nem nada), dicas de textos excelentes sobre temas que costumo comentar pouco como Direito do Trabalho. Veja só.

Os prós e contras dos 180 dias da licença-maternidade

Pode deixar de ser facultativo o período de 120 para 180 dias o tempo para a licença-maternidade, caso o Projeto de Lei 2299/11, que tramita em caráter conclusivo, seja aprovado. Propostas de ampliação obrigatória do benefício vêm sendo debatidas e a especialista emAdvocacia Trabalhista e sócia da Veloso de Melo Advogados, Clarisse Dinelly, aproveita o ensejo para dar seu entendimento em relação ao tema.

Para a advogada, desde quando criaram o programa Empresa Cidadã, em 2008, os resultados tanto paraa empresaquanto para a empregada têm sido satisfatórios. “As empresas que aderiram ao programa de concessão de incentivo fiscalse beneficiamnão só com a deduçãodo valor total que foi pago à empregada durante o período de prorrogação da licença-maternidade, como tambémàs funcionárias da organização, que trabalham com mais satisfação e tranquilasao saberem que podem ficar com seus filhos nos seis primeiros meses de vida”, esclarece Clarisse, salientando que esse período é, inclusive, recomendando pela Organização Mundial da Saúde e pelo Ministério da Saúde para a amamentação exclusiva.

Ela ainda diz que o retorno positivo dessa política é mais nítido ainda quando as novas mamães retornam ao ambiente de trabalho. “Afinal, elas não precisarão mais se preocupar com a amamentação exclusiva das crianças, que já estarão ingerindo outros alimentos”, diz.

A Sociedade Brasileira de Pediatria também alega que os bebês que ficam seis meses ao lado da mãe têm reduzidas as chances de contrair pneumonia, desenvolver anemia e padecer com crises de diarréia. Segundo a Sociedade, o Brasil investe milhões ao ano para atender a crianças com doenças que poderiam ser evitadas, caso a amamentação regular tivesse acontecido durante esses primeiros meses de vida.

O Projeto de Lei veio para alterar a Lei 8.213/91, que prevê o pagamento do salário-maternidade por quatro meses. Essa nova medida, contudo, apesar de agradar as futuras mamães, pode impactar de forma negativa o mercado de trabalho. “No período que as colaboradoras estão usufruindo da licença-maternidade, as empresas precisam contratar outra pessoa para substituí-la. Com o aumento do período desse benefício,o custo para a organização com o novo funcionário ou com o eventual pagamento de horas extras para àqueles que já eram doquadro e que estão cumulandoas funções, também aumentará por maisesses dois meses”, pondera.

“A avaliação para saber se haverá o desaquecimento dos mercados de trabalho para as mulheres poderá ser realizada somente em médio e longo prazo, por meio das empresas que verificam as vantagens e os prejuízos da concessão da licença-maternidade de 180 dias, enquanto ainda facultativa. Mas a sociedade precisa se adaptar à nova garantia, focando na saúde das crianças e não somente no bem-estar das futuras mamães”, finaliza a advogada.

O que dizem as leis sobre o benefício – A licença-maternidade é um direito fundamental, previsto no artigo 7º, inciso XVIII da Constituição Brasileira de 1988, que consiste em conceder à mulher que deu à luz licença remunerada de 120 dias. A Carta Magna também garanteque, do momento em que se confirma a gravidez até cinco meses após o parto, a mulher não pode ser demitida (alínea “b”, do inciso II, do artigo 10, do ADCT).

A Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), por sua vez, regulamenta a matéria e tambémprevê em seu artigo 392 o direito à licença-maternidade de 120 dias, sem prejuízo do salário. No mesmo artigo, está regulamentado quea empregada deve, mediante atestado médico, notificar o seu empregador da data do início do afastamento do emprego, que poderá ocorrer entre o 28º dia antes do parto e ocorrência deste. Ainda no mesmo artigo, está previsto que os períodos de repouso, antes e depois do parto, poderão ser aumentados de duas semanas cada um, mediante atestado médico.

Em setembro de 2008 entrou em vigor alei nº 11.770, que prorrogou a licença-maternidade em 60 dias, de forma facultativa e mediante incentivo fiscal, às empregadas de empresas que aderissem ao programa “Empresa Cidadã”, regra que vem sendo aplicada desde 1º de janeiro de 2010.

Autora: Dra.Clarisse Dinelly
Especialista em Advocacia Trabalhista e sócia da Veloso de Melo Advogados
Ps. A Autora do texto está convidada para dar uma pequena entrevista para este blog quando ela e eu tivermos um tempinho de sobra!

Facebook legal!

14 agosto, 2012

O Direito é Legal também está no facebook com dicas rápidas, desabafos e informações para o leitor.

O blog não vai parar não. A idéia é só legar um pouquinho de direito para fazer companhia às piadinhas do facebook. Nada contra!

http://www.facebook.com/direitoelegal

Ps. O twitter você já conhece, né?! É o @bomdireito (tudo fica registrado ali do lado, acima da foto do Peter)

Londres, pequenas e grandes injustiças e o dilema do Direito

13 agosto, 2012

Como eu amo Olimpíadas! Podem falar que é meramente comercial, que o Brasil perdeu medalhas, que a Copa é muito mais legal. Eu AMO as Olimpíadas! Amo os jogos, a ginástica olímpica, as corridas,  a natação, os hinos nacionais, a tocha olímpica… Poxa, esse ritmo é muito contagiante!

Vendo as meninas da ginástica me bateu uma enorme saudade do meu tempo de bailarina. Foram sete anos de treinamento.  Nada muito pesado, mas delicioso! E então parei. E sabem por que parei? Porque a professora me acusou de uma coisa que eu não tinha feito. Na verdade, ela nem chegou a me acusar, ela só passou a me tratar mal da noite para o dia e a tornar a minha vida insuportável no ballet. Eu, que era uma criança, não entendi direito e resolvi sair. Alguns anos depois a ficha caiu: Aquela professora tinha entendido que eu era a responsável por uma série de trotes que outras meninas estavam fazendo com uma professora substituta. E como as meninas ainda usavam o meu nome, numa espécie de bullying, para fazer gracinha com o povo, ficou parecendo que eu tinha alguma coisa a ver com a história. Complexo, né?! Isso me custou a interrupção das aulas e também um sedentarismo precoce. Mas não vou ficar chorando as pitangas aqui.

Este mal-julgamento da professora, aliada à minha ingenuidade para me defender resultou nessa carreira frustrada de bailarina, o que nem de longe é a maior injustiça que eu possa citar neste texto.

Há quase vinte anos virou notícia o caso da Escola Base. Os diretores de uma escola foram julgados e condenados (pela mídia!) sob a suspeita de molestarem as crianças da escola. Perderam o trabalho e tiveram a vida familiar destruída. Pouco depois, descobriu-se que era tudo invenção e que os diretores eram inocentes.

Mas este ainda não é o pior caso que eu poderia me lembrar, e olha que não quero comentar sobre os irmãos Naves.

Na mesma cidade sede dos recém findados jogos olímpicos, há sete anos, uma grande injustiça aconteceu com um brasileiro. Jean Charles, mineiro de Gonzaga, foi o infeliz escolhido. O caso, conhecido por todos os brasileiros e londrinos, remete à tragédia de um rapaz que foi tido como terrorista e morto por isso, sem chance de defesa. Sem sequer querer comparar os casos relatados, posso expressar que este é o grande dilema do Direito: A condenação injusta.

A dura realidade de punir uma pessoa que não tem nada com a história é uma preocupação não só do legislador brasileiro, mas do geral do mundo.

Guardadas as devidas proporções, visto que o caso Jean Charles é um exemplo de aberração, talvez por isso o nosso Direito Penal seja tão paternalista (eu chamo assim). Talvez por isso muitos dos mensaleiros não terão o destino esperado. Ou talvez porque os que fazem as leis tenham também os seus interesses. É, fiquemos com o benefício da dúvida…

A verdade é que se de um lado temos este dilema, do outro temos o dilema da impunidade. Este com muitos mais casos para relatar. E também terrível.

Daí a importância de um processo penal sólido e respeitado. Também daí a importância do cumprimento das leis, e o principal: A importância do conhecimento e acompanhamento destas Leis por toda a população, por todos os povos.

Somos assim com os esportes, não somos? Sempre sabemos quando o jogador está impedido, quando há o quarto toque na bola do vôlei, quando a ginasta cruza as pernas no salto. A gente conhece as regras e sabe cobrar. Isso fazemos bem com os árbitros.

Vamos exercitar esse dom também com a Justiça? Que tal?

“É preciso que a sociedade, pacificamente organizada, resista participando na melhoria das condições de vida do povo e exercendo essa participação com o Estado, pela construção de uma nova sociedade. Porque essencial é tomar como ponto de partida a visão global do problema, afastando-se das soluções românticas ou provincianas. 

Impõe-se investir: a) naquele que cometeu o ilícito; b) naquele que está a caminho do crime; c) naquele que não se apresenta como possível criminoso; d) na infância e na juventude”

Nilzardo Carneiro Leão, texto Causas da Violência

 

 

Queridos heróis

11 agosto, 2012

Hoje é o dia do advogado. E como é difícil ser advogado…

As pessoas do mundo devem concordar comigo que a profissão não tem a melhor das imagens para o público, certo?! Ao mesmo tempo que muitos nos julgam mentirosos, falsos, oportunistas, outros entendem que somos ricos, careiros e políticos. Nada mais longe da verdade para os que são, de fato, advogados.

Ad-vocare tem o significado de ajudar. Em uma maior profundidade etimológica, significa aquele que conduz até a verdade. O advogado tem que ser, antes de tudo, um colaborador da justiça. Ele tem que querer encontrar a verdade para realizar um bom trabalho.

Parece utópico, mas isso é o que toma a maior parte do nosso dia! E não somos poucos.

Mas ajudar e colaborar pode ser um trabalho iniciado fora do judiciário. E vamos aos exemplos: O moço que salva o cachorrinho do afogamento é um advogado no sentido amplo da palavra! O menino que defende o colega do bullying também (desde que não espanque ninguém!). O chefe que  prefere conversar sério antes de realizar cortes de pessoal também. A professora que ensina o aluno a evitar problemas com inteligência também. E por aí vai.

Advogar tem que ter esse caráter nobre de ajudar. Sem isso, é só mais uma pessoa paga para fazer qualquer coisa por dinheiro. E para tal já existe outro nome. O verdadeiro advogado é um herói. E estamos falando de muitos.

Por isso hoje o “Queridos heróis” vai para os advogados, em homenagem a este dia que é também o dia do Estudante. Bravíssimo! Amanhã, o “Queridos heróis” fica para os pais, pelo dia dos pais. Em todo caso, parabéns!

 

O julgador que questiona

9 agosto, 2012

Sempre achei interessante que, antes de julgar, o próprio julgador investigasse um pouco a situação, mais ou menos como um ou outro seriado que a gente já viu.  Isso é raro.

Claro que o nosso sistema é bem diferente do hollywoodiano e tem que ser mesmo. Mas veja como pega bem quando o julgador questiona o advogado. Quando ele mostra interesse no caso e, melhor ainda, mostra que conhece o caso.

Joaquim Barbosa questiona advogado em julgamento do Mensalão

 

Mais:

Está criado o facebook do Direito é Legal

Concurso de Monografias: Combate à Corrupção

8 agosto, 2012

Estamos todos acompanhando o julgamento do mensalão, certo?! Bom, segue aí uma grande idéia que tenho a alegria de comunicar que está com as inscrições prorrogadas até 26/10. Como sempre, Rio Grande do Sul marcando presença no Direito Brasileiro!

A Procuradoria-Geral do Estado do Rio Grande do Sul e a Associação dos Procuradores do Estado do RS divulgam o Concurso de Monografias, cujo tema é “ADVOCACIA PÚBLICA E COMBATE À CORRUPÇÃO”.

As inscrições podem ser feitas no período de 02 de abril a 26 de outubro de 2012, por meio do e-mail (monografia@pge.rs.gov.br) ou pelo correio. O concurso é destinado a acadêmicos de Direito e aos demais profissionais da área ciências jurídicas, políticas e sociais. Mais informações podem ser obtidas pelo seguinte endereço: pidap-sec@pge.rs.gov.br

O regulamento completo pode ser consultado no site: http://www.pge.rs.gov.br, link: eventos

Premiação:
Os autores das quatro (04) monografias vendcedoras receberão a seguinte premiação:

I – primeiro lugar: R$5.000,00 (cinco mil reais);

II – segundo lugar: R$3.000,00 (três reais);

III- terceiro e quarto lugares: menção honrosa e Prêmio APERGS.

Mobilidade

8 agosto, 2012

Olha, se tem uma coisa que me interessa é a tal da mobilidade urbana! Nasci e cresci em Belo Horizonte e vi essa cidade, aos poucos, se tornar próxima do insuportável de tanto carro. Por um  lado, uma notícia boa: Oba, todo mundo está tendo condições de ter o próprio carro. Por outro lado, uma notícia ruim: A cidade não anda mais.

A redução de IPI, a segurada no preço da gasolina, a manutenção de empregos na indústria automobilística… tudo muito legal! Mas de que adianta ter um carro se ele não tem mais rua para andar e nem lugar para estacionar?

Aqui em Beagá, se você quer fazer as coisas em um tempo determinado, o carro não é mais a melhor idéia. Na maioria das vezes uso ônibus+corridinhas a pé para conseguir as coisas um pouco mais rápido.
No que diz respeito aos ônibus, acho que houve alguma melhora, mas Belo Horizonte, irritantemente, não tem muita opção de transporte público. Não temos metrô… e esta acho que é uma das maiores frustrações do mineiro, perdendo apenas para a falta de praia.

Numa época muito feliz, tive a oportunidade de morar alguns poucos meses da minha vida em Vancouver no Canadá. E lá experimentei um excelente sistema de transporte. A gente comprava um cartão por um preço fechado (para estudantes era mais barato e dependendo da área que você percorria havia uma variação de preços, na época +- $90) e podia pegar quantos ônibus, metrôs, skytrains, balsas que quiséssemos.

Era um sonho! E algo muito prático e saudável tanto para o cidadão, quanto para o município, pois ele garante uma renda interessante e faz a economia girar muito mais em diversos pontos da cidade. Pois se ir para a periferia e para o centro ficava o mesmo preço, a gente marcava de tomar café na periferia, conhecer os jardins mais distantes, visitar os amigos que moravam do outro lado da cidade e fazer compras na venda do lado. Isso fazia tudo funcionar, tudo girar e melhorava a dinâmica da vida na cidade.

E como eu quero isso para minha querida Belo Horizonte…

Além disso, fico pensando para uma pessoa que procura emprego, dizer que mora longe muitas vezes é um empecilho para o emprego, mas quando o sistema de transporte funciona e é realmente democrático, isso não é mais um problema.

Por isso que eu acho muito proveitosa a conversa sobre o assunto aqui no Brasil. Seja para Belo Horizonte, São Paulo, Salvador, o que for… Mobilidade! Outra palavra muito irmã da já famosa Sustentabilidade.

Mais:

Brasileiros viajam até o Peru com carro movido a óleo de dendê

O sistema de transporte de Vancouver

Este foi o texto que me inspirou para escrever agora  –  Proposta de bilhete único para SP

Vá de Bike

Update: “Vi esses dias na Tv um advogado que vai todos os dias pro trabalho de skate. No caminho, ele para numa pracinha e faz Ioga, só então segue pro serviço, onde toma um banho e começa o dia. Segundo ele, fazer da rotina algo somente massacrante acabaria nos brutalizando. Não se pode deixar pra fazer as coisas que se gosta só nos finais de semana e recessos. O segredo é fazer cada dia valer a pena, fazendo coisas que se gosta, ainda que entremeadas às obrigações de todo dia…“Will, leitor do blog, mandou nos comentários e achei que seria bom reproduzir