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Troco é dinheiro

28 janeiro, 2014

Cena 1: peguei um táxi para uma audiência com outro colega de trabalho. A corrida custou 11 reais e a gente tinha uma nota de 50 que o escritório oferecera para pagar o táxi. Ao ver a nota, o taxista começa a resmungar falando que a obrigação era nossa de ter dinheiro trocado (oi?). Pra quê… meu colega, recém saído da universidade de direito, começa a gritar que isso era um direito do consumidor, que o fornecedor de serviço é que tem que ter o troco, toda esse discurso que vocês já conhecem. O taxista se altera, expulsa meu colega do carro e eu, tentando manter a diplomacia, tento explicar com calma para o taxista que na verdade era isso mesmo, mas ele já estava muito alterado para ouvir a voz da experiência aqui (hehe). Achei onze reais na minha bolsa e paguei trocado, sob a revolta do meu colega que passou o resto do dia falando no meu ouvido que eu não devia ter pagado, que devia ter deixado o cara aprender com a ignorância dele. E eu não tiro a razão do colega, mas, ao mesmo tempo, antes de uma audiência, eu preferia não ter que me estressar tanto. A gente já estava pegando o boi de ir pra audiência de táxi e não de ônibus (ê, vida de recém-formado!).

Cena 2: anos depois, estou numa farmárcia que agora tem em toda esquina de Belo Horizonte. Compro dois produtos que resultam num total de 4,98. Entrego uma nota de 5 e a moça me agradece. Eu digo que estou esperando o troco e ela diz que tem que procurar. Eu digo para ela procurar e ela some do caixa. A fila começa a crescer atrás de mim. Nenhum sinal da mulher. Por fim, eu me irrito e vou embora. Ao comentar isso com amigos, todos me dizem que essa farmácia está com essa mania agora.

Nesses dois casos, eu fiquei furiosa muito mais pela conduta do fornecedor que pelo valor envolvido. Que palhaçada é essa agora que troco virou obrigação do consumidor? Com tanta nota de 50 circulando por aí, como é que o taxista pode se dar ao luxo de achar que vamos entregar a conta certinha para ele?

E nessa farmácia tão badalada? Quanto é que eles vem faturando só de troco que não devolvem? Se a farmácia não é capaz de entregar troco, por que eles ofertam produtos em valores picados como 2,99? Só para tapear o cliente?

A questão do troco, assim como da gorjeta, faz parte de uma coleção de hábitos que me intrigam pois acabam virando obrigações sem a ligação com a causa que os originou.

Ora, facilitar o troco, deixar o troco por bala ou mesmo ignorar o troco eram faculdades do consumidor! Nunca foram direitos do fornecedor. Era o consumidor que fazia a escolha por uma mera liberalidade. Isso não pode ser perdido, mesmo que a gente fique com a fama de “chatos”.

O mesmo raciocínio devemos à gorjeta, que era um agrado ou uma felicitação pelo bom serviço do atendente. Hoje, mesmo diante de um péssimo atendimento, você se vê quase obrigado a pagar uma gorjeta sob o risco de ser ofendido pelo pessoal do restaurante. Sendo que a gorjeta continua sendo não-obrigatória.

E o seu dinheiro vai sumindo, aos poucos, sendo levado pelas práticas mal-intencionadas do mercado que ganharam o apelido de “costume”. Troco é dinheiro. E dinheiro é suor e suor é trabalho e trabalho é tempo e tempo é vida. E a minha vida vale muito para o meu dinheiro voar assim.

Aqui na França tive muitos problemas com péssimos atendimentos, mas esse do troco ainda nunca tive. O que custa 99 centavos, realmente custa 99 centavos. Caso contrário, é só mais uma forma de mentir para o cliente. E se enquadra como enriquecimento ilícito.

Uma coisa que eu devia ter feito e não fiz ainda, mas que pode servir como dica para os amigos que se enfurecem com a falta de troco é falar que você vai pagar com cartão de débito. Pagando no cartão, você vai pagar os centavos direitinhos e a taxa cobrada do cartão de débito vai desmotivar o fornecedor a continuar com essa brincadeirinha. Mesmo se você já tiver pagado em dinheiro, enquanto o troco não voltar para você, você pode desfazer o negócio e mudar a forma de pagamento, ou até desistir da compra. E o fornecedor não pode exigir valor mínimo para a compra no cartão! Touché!

Outra coisa que todo estudante de direito (e todo cidadão) deve saber é que, na falta de troco, o fornecedor deve arredondar o valor do troco para cima, até arrumar o troco. Ou seja, se ele não tem uma moeda de um centavo para te dar como troco, deve oferecer a moeda de 5 centavos. Se não tiver de 5 centavos, a de 10 centavos e assim por diante.

Mas sem querer ser diabólica, é bom que você tenha o bom senso de saber quando o comerciante está abusando e quando o comerciante realmente se encontra numa situação difícil. A geração Millennial tem uma tendência natural a identificar esses casos. Se for o segundo caso, e o valor não fizer muita falta, peça para incluir alguma bala, ou para te pagar depois, ou até para deixar pra lá. Mas deixe claro que é você que está optando por isso, em nome da gentileza. E que não é para acostumar não!

Algumas coisas na vida não tem preço, mas muitas tem troco“. Michelle Chalub (ela me apresentou a frase, mas diz não ser de autoria dela, desconhecemos o autor)

Mais:

Não existe valor mínimo para a compra com o cartão

Sem troco? O que fazer?

Proposta de lei para pagamento de troco (lembrando que proposta de lei não é lei, é uma proposta! O link mostra a situação da proposta)

Daqui mesmo:

Um centavo, cadê meu troco?

O troco pro taxista

Ps. Dedico este texto à minha amiga Livinha que hoje escreveu indignada: “Antigamente, na hora de ficar devendo um ou dois centavos, o povo do caixa oferecia uma bala ou perguntava educamente se poderia ficar devendo. Agora, ficam devendo e não falam nada. Se você fala que falta troco acham um absurdo completo (mas na nota fiscal o troco certo está lá), são irônicos e grosseiros, demoram um tempão pra buscar o tal um centavo. Eu entendo que troco é direito do consumidor e não favor que o caixa faz pra gente.  #o1centavoémeu  #euquerotroco #souchatamesmo

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Sobre carne moída

1 março, 2013

Não gosto de comer carne. E nem é por motivos de saúde. É por dó dos animais mesmo. E por isso tem sempre alguém que me pergunta: “Mas você não tem dó das frutas e legumes?”. Não, sinceramente não… Mas é uma discussão sem fim.

E como as pessoas ficam muito incomodadas quando eu digo isso, evito levantar demais a bandeira (só um pouquinho!). Na verdade, evito comer animais que já tive de estimação, como o frango. E evito comer animais inteligentes demais como o porco… E animais mais porcos que o porco como o rato e o pombo. E animais que são preparados vivos como a maioria dos frutos do mar… Mas sou onívora e como quase tudo vez ou outra.

Este não é um post de pregação do vegetarianismo, até porque eu não sou (ouvi dizer outro dia que existe o flexitariano, que é aquele que come carne só em momentos especiais), este é um post de alerta sobre a carne moída. Essa sim, o leitor deve procurar evitar…

Recentemente, na Europa, descobriram a bagunça que eram os alimentos processados, com carnes mais variadas misturadas, entre elas a carne de cavalo. Para evitar situações assim, como a fiscalização deixa muito a desejar, o ideal é evitar também os alimentos processados.

E a carne moída, embora seja fresca, corre o mesmo risco de vir misturada demais com coisas incógnitas.

Você sabia que a carne moída deve ser moída na frente do consumidor?

Comprá-la já moída é aceitar levar as piores partes do animal pro seu organismo, além de poder também estar levando outro animal, entre outras coisas…

Em alguns municípios, existe lei que proíbe especificamente essa prática comum em supermercados.

Em Belo Horizonte, existe uma instrução da Secretaria Municipal de Saúde que é correntemente “esquecida”. Imagine o quanto os supermercados não ganham nessa espertice?

Vamos ficar atentos!

Art. 1º – É vedada a venda de carne previamente moída no varejo, sendo direito do consumidor exigir que a mesma seja moída na sua presença e no tipo por ele solicitado.

Fonte da foto: http://www.pacoquinha.com

Mais:

Leis e instruções municipais de Belo Horizonte sobre saúde

Está proibida a venda de carne previamente moída em MS

Lei proibe venda de carne moída em bandejas


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