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Alguma coisa relacionada com paz

28 setembro, 2012

Por favor! Ser anti é fácil. Anti-islã, anti-israel, anti-americano, anti-capitalismo, anti-comunismo, anti-reforma ortográfica, anti-blablablá. Se você é o anti. O outro é que é importante! É como o inseticida que está voltado para os hábitos dos insetos. Se não existirem insetos, não há razão para existir inseticida. Ele não serve pra mais nada a não ser que, claro, caia nas mãos do MacGyver.

O pensamento que traz a ideia (que aflição de não colocar acento) de ser positivo, de ser pró-algo, de buscar a ação não é de hoje e não é meu. Eu sou apenas pró essa ideia que aprendi com a Logosofia.

Guimarães Rosa também tem interpretação semelhante ao dizer que “Viver para odiar uma pessoa é o mesmo que passar uma vida inteira dedicado à ela”. E Voltaire, o meu filósofo mais acessível, dizia “Todo homem é culpado de todo o bem que não realizou”. Sofrido, não?!

Portanto, quando observo esse tumulto provocado inicialmente por um filme de segunda-linha (!), fico embasbacada com os “antis” e todos os antis derivados daí. Muitos daqueles que não gostaram do filme ou da charge tornaram-se (ou ressaltaram o lado) anti-EUA, anti-França, etc. Muitos dos que criticam as manifestações violentas, tratam como se todos os mulçumanos fossem iguais, comentendo o mesmo erro dos manifestantes iniciais na forma de julgar os diplomadas, os franceses, os jornalistas etc.

Na hora de generalizar para fabricar o ódio, entra tudo numa mesma panela e fabrica-se assim a mesma massa de hipocrisia, cozida a crenças e temores, com gosto de déjà vu, se me perdoam o francês ainda escorregadio.

Há alguns dias postei no facebook do Direito é Legal que nem todo mulçumano é violento. E falo muito sério e convicta de que muita gente sabe disso! Pago até a penitência de estar cercada de clichés por aqui, mas quero repetir porque estou determinada a ser pró-paz! Pelo menos um pouco.

Nem todos concordam com os protestos relacionados ao filme e às charges publicadas satirizando o islã. Mas nem todo mulçumano reage com violência. Até onde o mundo aprendeu a conviver com diferenças pacificamente/tranquilamente? O que podemos chamar de censura e o que podemos chamar de respeito? Até onde o profissional de comunicação deve se responsabilizar pela mensagem que passa? ( A mesma questão me ocorre ao pensar também no trabalho do julgador e na decisão que assume). Difícil marcar uma linha.
Quem se lembra do auê com “O Código da Vinci”? Quem nunca viu comunidades/pessoas que satirizam os judeus serem excluídas sem perdão de orkut/facebook/twitter? São reações diversas que mostram que ninguém é ok quando exposto a críticas às suas próprias convicções. Verdade. Óbvio que a reação atual é extrema e horrível. Mas é de uma parcela que sequer representa a maioria dos mulçumanos. Então, calma lá com as generalizações.

Nessa pesquisa, encontrei uma iniciativa muito interessante para amenizar uma das maiores tensões atuais. É já passadinha… de março, mas me parece tão atual… Por mais previsível que seja, é o tipo da previsão que sou a favor!
Mais:
Iran loves Israel
Iranians we love you
O interessante discurso de Ahmadinejad
Limites éticos nas mídias digitais
Liberdade de expressão da era do youtube
Give peace a chance

O início de um novo conhecimento

15 setembro, 2012

No livro Comer Rezar Amar a autora experimenta ingressar em um curso de Italiano na Itália. Em seu primeiro dia de aula, ela, achando que já conhecia muito da língua, fica perplexa com a complexidade do idioma e pede para voltar para o nível iniciante.

Esta semana iniciei minha aula de Francês na França. Temendo passar pela mesma situação, tive a surpresa reversa. Entrei para um nível mais alto do que esperava, mas até agora ainda não precisei pedir para trocar! Ainda assim, meu nível é bem básico.

Aprender uma língua e assumir um conhecimento novo, além de esforço, requer uma vontade próxima do que eu chamaria de paixão. A gente precisa pensar mais no assunto do que o normal. Precisa se comprometer com aquilo. E mais, aquilo precisa nos fazer bem!

Eu vim para a França com o objetivo de estudar a língua para mais tarde também poder estudar aspectos específicos do Direito Francês. Além disso, outros fatores também influenciaram na minha escolha, como o fato do meu filme preferido ser francês, o fato de eu adorar crepes e omeletes e ter um namorado francês… Mas nada disso conta na hora de tentar mestrado aqui.

Acho que o mestrado e a pós-gradução fazem muita diferença na carreira das pessoas, principalmente de um advogado. Nossa profissão é múltipla em todos os sentidos: São muitas oportunidades, muitos caminhos, mas também é muita concorrência. A gente tem que crescer rápido e de um jeito particular para fazer diferença. O caminho que escolhi, por enquanto, é este aqui, mas me arrependo de não ter procurado alternativas antes. São tantas, que a gente se perde.

Recentemente através de um contato, conheci os cursos do Insper, Instituto de Ensino e Pesquisa que fica em São Paulo, eles oferecem mestrados na área do Direito em Direito dos Mercados Financeiro e de Capitais; Direito Societário; Direito Tributário e Direito dos Contratos. São áreas de grande demanda de conhecimento específico e com boas oportunidades atualmente.

Os cursos de pós-graduação do Insper nas áreas do Direito apresentam casos nacionais e internacionais a serem estudados em sala e criam a possibilidade de complemento do aprendizado em universidades americanas ou da Suíça. Gostei de saber que algumas salas do campus são similares aos modelos das salas de Harvard! Está aí uma alternativa boa a ser considerada.

Por enquanto, eu continuo na minha esforçada lua-de-mel com o sul da França e minhas aulas semi-iniciais de Francês. Um dia poderemos trocar figurinhas sobre direito brasileiro, francês, suíço, americano, alemão, árabe… Très chic!

Bom dia, Direito

13 setembro, 2012

Depois de um período de adaptações longe do meu país, estou de volta para o Direito é Legal.

Como anda o Brasil?

Uma coisa me deixou um pouco intrigada outro dia foi a discussão de “racismo” nos livros do Monteiro Lobado. Um dos meus escritores favoritos quando criança, acho exagerado considerá-lo racista. E, ainda que algumas pessoas se sintam ofendidas com seus textos, abolir um de seus livros das escolas é um tanto quanto agressivo, além do que, tudo que é proibido acaba atraindo mais atenções… Penso ainda que, se formos por essa linha de raciocínio, a Bíblia também seria ofensiva para as mulheres. Então, qual o critério que será usado para esse tipo de censura?

Sem querer criar muita polêmica pergunto: Você sabe a diferença de racismo para injúria racial?

A injúria racial, é uma forma qualificada da injúria e atinge uma pessoa específica por conta de sua cor/etnia/características físicas etc. Já o racismo deve atingir uma coletividade, como por exemplo, a proibição da entrada de pessoas de determinada cor em um restaurante. É muito comum ver a imprensa confundindo estes termos quando duas pessoas se provocam por conta de seus diferenças físicas. Neste caso, não se trata de racismo e sim de uma briga entre dois seres que tentam se ofender de todas as formas, gerando no máximo uma injúria racial e, claro, muito desconforto para ambos.

É importante ressaltar também, que embora seja mais comumente utilizado o exemplo de racismo como sendo ofensivo aos negros (como no caso da questão discutida sobre Caçadas de Pedrinho), o racismo e a injúria racial também podem ser direcionados para os brancos, os asiáticos, os indígenas etc. É tudo uma questão de respeito. E o respeito deve ser universal, certo?!

Mais:

Texto muito bom sobre a criação do parag. 3o do art. 140 do CP.

Interessante ainda acompanhar uma gravação antiga do podcast Decodificando, em que eles abordam o assunto!

Ps. a foto que ilustra o post é minha, tirada na universidade aqui da França. Tem gente do mundo inteiro e estamos muito felizes com isso!