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O mundo passa bem

21 dezembro, 2012

O ano começou com um trabalho tão carregado para mim que eu mal tinha tempo de acompanhar o que acontecia fora do escritório. Aprendi muito sobre a vida na advocacia. E cheguei a pensar que meu mundo se resumia a isso.

Se o mundo acabasse naquela época, talvez eu chegasse atrasada para o evento, de tanta coisa para terminar. Mas terminei! E vim morar na França, onde o ritmo é outro. E onde tenho tempo para estudar, fazer trabalho voluntário e ler um livro no parque, o que considero um luxo.

2012 foi interessante! Em 2012 acompanhamos o julgamento do ano: Mensalão, e o Brasil conheceu um novo ídolo que, longe de ser perfeito, é o bom moço que a nação queria.

Neste ano vimos uma olimpíada com acontecimentos inspiradores. Quem não se emocionou Pistorius correndo com suas pernas metalizadas?

Vi minha cidade virar uma grande piscina com as chuvas. Mais uma vez.  E vi o Rio de Janeiro virar patrimônio da Unesco e uma caríssima Rio+20. O Rio é o máximo, mas o taxista carioca não devolve o troco certo.

Em 2012 perdemos Chico Anísio, Wando, Whitney, Millôr Fernandes, Hebe, Neil Armstrong, Michael Clarke, Niemeyer e tanta gente querida…

Acompanhamos mais uma escola atacada nos EUA, mas antes havíamos nos chocado também com ginásios bombardeados na Palestina. Sofremos com uma Síria despedaçada, uma Grécia em ruínas e uma Espanha desempregada.

O mundo teve suas primaveras, onde poucas flores sobraram para contar a história. Atualmente nós vemos a primavera mexicana coincidindo com o calendário Maia.

Enquanto os jovens precisavam de emprego, conhecemos o poder destruidor dos “engraçadinhos” da comédia que não tem graça. E conhecemos a fúria dos extremistas.

2012 não foi fácil pra ninguém. Cheguei a cogitar que o mundo realmente acabaria.

Foi quando, no meio deste ano, me lembrei de 2008. E me perguntei se já havia contado esse caso aqui no blog. Voltando um pouco mais no tempo, eu conto essa história.

Naquele ano, eu era estagiária e teria que devolver um processo na justiça do trabalho, que ficava há poucos quarteirões do meu local de estágio. O processo possuía 20 volumes (ah, os processos trabalhistas…) e eu decidira que era forte o suficiente para carregá-lo até a JT. Fui atravessar uma avenida e o processo tombou do meu colo no meio da rua. Rua movimentada. E eu agachada, suando frio, com taquicardia, tentando equilibrar novamente, e em vão, todos os processos na minha mão. Os carros se desviam de mim por puro reflexo. Enquanto eu pegava um volume, o outro caía. Naquele instante me pareceu que nunca conseguiria sair de lá. Foi quando um rapaz que fazia trabalho de boy na Caixa Econômica Federal, do outro lado da rua, me viu, atravessou, segurou o trânsito e me ajudou a guardar todos os processos.

Tudo o que eu fiz naquele dia foi agradecer imensamente e seguir meu caminho até a Justiça do Trabalho. Hoje eu penso que esse rapaz, que nunca recebeu nada em troca, era um exemplo de que o mundo ainda passa bem. Ainda tem muita gente fazendo o bem pelo bem mesmo, pelo sorriso e alívio dos demais. E só.

O mundo não acabou. Aos trancos e barrancos, estamos nos segurando. E tivemos mais uma oportunidade.

Eu dedico este texto a você, rapaz inominado, que salvou o meu dia de estagiária, no longínquo ano de 2008. Que você sirva de exemplo pra tanta gente. E que o próximo ano lhe traga o que há de melhor a sua volta.

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