O filtro

É improvável que alguém que assista muita televisão entenda o que eu vou dizer agora, mas eu sou a favor da censura do bom senso. Como um filtro, o editor devia ter mais cuidado com o que vai divulgar.

Explico! Desde que acompanhamos as terríveis cenas de Realengo no Rio, começamos a ser expostos a uma série de reportagens sobre como o assassino recarregou a arma mais rápido, como ele fez para entrar na escola sem problemas, onde ele buscou na internet se “educar para matar” etc etc. Verdadeiras aulas de assassinato. Obrigada, jornalistas, mas acho que não precisávamos disso! Também não precisávamos ver todos os detalhes sórditos da mente doentia do infeliz, todas as maldades que ele fez. Ele já morreu. Já acabou. O que é necessário agora é reconstruir aquela escola, a vida de quem ficou, as famílias que foram mutiladas. O mundo precisa de mais revistas como a Revista Sorria, talvez.

Hoje saiu uma reportagem sobre a condenação do programa Pânico na TV a R$100.000,00 (cem mil reais) por terem jogado baratas vivas em cima de uma mulher. Isso é engraçado, né?! Então mais engraçado será ver os produtores suspendendo a noitada para ajudar a pagar a indenização que, ao meu ver, ficou barata (desculpa o trocadilho).

Censura por censura é feio, é ditatorial, é amarga. Mas censura por um mundo mais humano é algo que deveria passar pelos princípios de todos, não é não?!

No meu convívio tem um ser que trai a namorada (esse é escancarado). Ele faz tudo na nossa frente e depois ninguém pode comentar nada! Isso é censura hipócrita. Não quer virar notícia, não deixe que o fato aconteça (frase de antigo compercial). Mas evitar grandes constrangimentos pode ser uma censura razoável. Evitar, por exemplo, que um colega espalhe uma piada racista, seria censura?

A Revista Caras divulgou a carta de uma suicida na capa da revista – com detalhes, claro. Como o ex dela não quis ter seu nome divulgado na reportagem mais ridícula do planeta, a Revista Veja divulgou a história contando que era a volta da censura (uuuh! – som de fantasminha!). Que nojo, ou…

Claro que o Brasil tem péssimas lembranças do assunto e prefere afastar qualquer tipo de restrição da liberdade de imprensa a cuidar do assunto com mais cautela.

Pensemos como as professoras de primário: se a sua liberdade está interferindo na liberdade do outro, então a sua liberdade já acabou. Se a imprensa insiste em divulgar materiais perniciosos, talvez ela precise de um editor melhor. É só isso! Sem horrorizar, sem choramingar, sem alardear a volta da uma ditadura. Não quero que nada volte. Quero uma coisa inédita: Princípios!

Mais:

Dá licença, eu sou imprensa!

A chacina e o pânico da mídia

Anúncios

5 Respostas to “O filtro”

  1. O filtro |  Laboratório Jurídico Says:

    […] Site: https://direitoelegal.wordpress.com/2011/04/13/o-filtro/ Fonte: https://direitoelegal.wordpress.com/feed/ VN:F [1.9.6_1107]Salvando…Rating: 0.0/10 (0 votes cast) Adicionar aos favoritos […]

  2. Mauricio Says:

    Muito bom o post.
    Eu também possuo um blog (na verdade 2) sobre direito. Se puder dar uma olhada e seguir eu abradeço ;)

    http://mauricioopereira.blogspot.com
    http://vejadireito.wordpress.com

  3. Mariana Says:

    O seu blog é uma contribuição sem igual para a sociedade.
    Parabéns pelo senso crítico e leveza ao passar sua mensagem.
    De agora em diante serei visitante assídua. Abraços

  4. Silvia Salles Says:

    Concordo com cada vírgula.

  5. Rafael Rivas Says:

    Muito bom mesmo.

    O bom senso passa longe do nosso Estado Liberal. Confunde-se liberdade com libertinagem, como diz o roto jargão.

    Se nas propagandas de cerveja se veiculam mulheres seminuas, treinador da seleção, jogadores famosos, tartaruguinhas e caranguejos, estimulando algo prejudicial à saúde, imagina no resto das coisas que a televisão mostra.

    Essa desculpa de que “liberdade de imprensa acima de tudo”, “dever de informação”, “direito à notícia” ou “censura nunca mais”, é pura balela.

    Estou estudando (por conta própria) o PL sobre regulamentação da mídia e das mídias, como propriedade cruzada e etc. É engraçado ver os setores financeiros da sociedade lutando contra direitos dos cidadãos de não terem suas vidas invadidas, como fizeram com as vítimas da tragédia de Realengo. Entrevistar um menino que viveu aquela situação trágica, chafurdar no passado do criminoso, é benéfico para a população?

    Não é só a política que foge da ética, a mídia também!

    Pelo post.

    Parabéns!

Comente

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s


%d blogueiros gostam disto: