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A nossa função social

31 dezembro, 2010

Função Social! Este é um dos conceitos que mais me atraem no universo do Direito. Embora visto de forma diversa pela doutrina, o que entendo aqui é que o princípio estabelece que a propriedade deve ser usada para aquilo a que se destina, preferencialmente para o bem comum da sociedade.

Dessa forma, trazendo o exemplo para o nosso mundo, se temos uma roupa e ela nunca é usada, melhor seria passá-la adiante ou usar o seu tecido para algo útil. Deixá-la inerte caracterizaria uma afronta a este princípio tão bem bolado e não faria bem nem ao próprio dono, a não ser que fosse um colecionador.

E é desse jeito, que, se formos pensar,  as pessoas deveriam se enxergar também. Se somos seres racionais, sensíveis e criativos, por que nem sempre usamos estes presentes?

Há mais ou menos três semanas, meu pai me mostrou uma música que eu já conhecia, mas desta vez, com explicações que eu não conhecia. Era sobre a abertura da ópera Tanhauser (nome alemão difícil). O mundo pop, embora bastante divertido, conseguiu criar uma aversão às coisas eruditas que eu não entendo muito. A abertura dessa ópera é algo próximo do divino e acho difícil não gostar dela (apesar de ser possível).

Mas o que tem a ver a ópera com o princípio da função social?

A questão é que se a gente só ouvir a música (sem se ligar muito ao enredo) pode criar a nossa própria interpretação. Ou aproveitar a interpretação de outros que já indicaram estar aí simbolicamente a luta de cada indivíduo pelo seu livre arbítrio e sua própria evolução. Ser dono de si mesmo. Eis a questão, Mister Shakespeare!

Acho isso tão lindo, que separei esta mensagem para deixar de final de ano.

Final de um ano tão peculiar como este. Com tantas chuvas, terremotos, desastres… Tanta torcida pelo Brasil nos campos da África do Sul, nos campos de Brasília e nos campos do Alemão. Perdemos algumas, ganhamos outras. Como sempre acontece. Um ano em que corri contra o tempo, na reta final da faculdade, na preocupação com a vida profissional e tudo mais que a gente tem que se preocupar. Também viajei, reencontrei amigos, fiz novos, conheci uma nova família. Sofri com a perda de pessoas queridas, comemorei a chegada de novas.

A vida é assim, né?!

Ela chega, vai, surpreende, entristece e alegra. E a gente no meio, cumprindo com a nossa função social de sermos pessoas um pouquinho mais úteis para o mundo.

Entende este conceito? Função social como algo que foge do letargo, da inércia, da paradeza. Isso não está nos livros.

Amanhã, quando o sol despontar seja onde for, teremos mais um botão de start pressionado. Mais uma chance de fazer, retomar, resistir e realizar.  Será mais uma  oportunidade de nos apaixonarmos pelo trabalho, pelos amigos, pela nossa cidade, nosso parceiro e por nós mesmos, principalmente.

Que a função social da nossa vida seja o princípio condutor deste novo ano.

Não, isto não está nos livros. O que eu quero dizer é que desejo a todos muitas, mas muitas, muitas felicidades!

There is always hope:  de Banksy

 

“Justo a mim coube ser eu” – Mafalda


Quando a gente gosta de um professor

6 dezembro, 2010

O curso de Direito é imensamente interessante pelo número de professores apaixonados com o ensino. De certa forma, todos acabam nos cativando. Alguns mais, outros menos, mas a maioria mais!

Eu, ex-professora que sou, admiro do fundo do coração do trabalho hercúleo que esses seres fazem em sala de aula. E não me arrependo de não matar aula e de anotar tudo que falam.

Hoje chegamos mais cedo na faculdade. Dia de prova de Direito Administrativo, entrega de trabalho de Direito Administrativo e resenha de um texto escrito pela professora. É impressionante como em dia de prova, a imagem do professor fica circundando a nossa mente. Comentamos várias vezes o quanto ela é dedicada, atenciosa e boa de serviço. Fizemos a resenha e ainda colocamos, sem medo de parecer infantil “texto da querida professora de Administrativo”.

Estávamos na biblioteca quando a notícia chegou. A professora havia se acidentado. Prova cancelada. E isso, ao contrário do que a malandragem possa dizer, foi uma notícia que nos comoveu profundamente.

Tudo que sabemos é que ela passa por uma cirurgia e que se acidentou voltando de Ouro Preto, outro lugar em que trabalha.

Estamos de plantão, torcendo e enviando todos os melhores pensamentos que podemos para que ela se recupere. Se este blog se prestasse a algo mais que mera divulgação do que eu acho de Direito, pediria que servisse para mobilizar pessoas, hoje, mais precisamente, para que todas enviem suas forças para minha professora. O nome dela é Maria Tereza Fonseca Dias, uma pessoa tão pequenininha, mas tão brilhante… uma professora muito querida!

Atualização de 08/12/2010: Alguns alunos entraram em contato comigo e disseram que a professora precisa de doadores de sangue. Liguei para o Hospital João XXIII e informaram que todas as doações são coletadas pelo Hemominas que hoje funcionou até as 18h e estava vazio. Os telefones de lá são (31) 3248-4514 ou 4500. Se você estiver com a saúde em dia e  um pouco mais de 50 Kg (abafa o caso), sugiro que faça uma visita, mesmo que não conheça a professora, pode doar em nome dela. Ou, se preferir, apenas doar, pois nunca é desperdiçado.

Atualização de 16/12/2010: a professora está bem melhor. Agora necessita de doações de sangue para o banco do Hospital LifeCenter de Belo Horizonte. As doações devem ser agendadas pelo telefone (31) 3218-1300. O horário de atendimento é de segunda à sexta, das 07:30 às 16:40 e sábados de 07:30 às 13:10.

Atualização de 25/12/2010: No início da semana visitamos a professora no hospital e ela já está bem melhor. Disse que nem sentiu dor na hora do acidente e que está se recuperando bem. Ela não reclama de nada e nos deu uma aula de adaptação com esse exemplo. Isso que é mestre!